segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Desafio aceito: No, You Can't!

Heitor De Paola | 13 Janeiro 2011

Um povo que aceita perder uma fatia de sua liberdade em troca de segurança, não merece ter nem liberdade, nem segurança.Benjamin Franklin

O Tea Party é tão simples que chega a ser bobo. Assim denominado por causa da revolta dos Americanos contra a usurpação tirânica do sonho e estilo de vida Americanos, 'taxation without representation' foi somente o estopim da aguda guerra cultural de 1773, e agora representa com exatidão o espírito do Movimento Tea Party de 2010.
Ted Nugent

lguém sugeriu que o nome correto do país deveria ser Estados Desunidos da América, de tal forma os interesses entre os estados e as regiões são díspares. Mesmo entre os conservadores há divergências imensas. Nem todos defendem o livre comércio, p. ex., uma das máximas capitalistas: ele não interessa aos produtores agrícolas dos Estados produtores. Querem subsídios, igualzinho aos nossos e aos Europeus. Um pecuarista texano diverge de um produtor agrícola do Meio Oeste. Estados produtores de petróleo exigem preços mais caros da Gasolina, prejudicando os demais. Dentro de um mesmo Estado existem divergências inconciliáveis. A Louisiana é um exemplo, entre muitos: o Cajun Country, a Oeste, a área mais rica, é absolutamente diferente dos Distritos do Sul, negros e mais pobres. Mesmo na cidade de New Orleans o contraste entre as áreas divididas pela Canal Street são gritantes. Outro é o Estado de Utah, berço da expansão mórmon, onde, ao contrário do que muitos pensam, predomina a religião batista. Sufocados por um cerco comercial para abandonar a prática da poligamia e ser aceito na União, o ressentimento com Washington é imenso - e a prática só foi abolida oficialmente, pois nas comunidades mais religiosas ainda é aceita veladamente. Mas existem princípios morais e religiosos e uma noção arraigada de liberdade, que não conhecemos aqui, que une a todos e quando estas são atacadas, a cascavel dá o bote! Esta união é expressada pelo Pledge of Allegiance, a saudação à bandeira repetida diariamente nas escolas: 'I pledge allegiance to the Flag of the United States of America, and to the Republic for which it stands: one Nation under God, indivisible, with Liberty and Justice for all' (Eu juro lealdade à Bandeira dos Estados Unidos da América e à República que ela representa: uma Nação, sob Deus, indivisível, com Liberdade e Justiça para todos).
As transformações socialistas trazidas por Obama estão tentando acabar com a América original, aquela que conquistou o Oeste com um revólver numa das mãos e a Bíblia na outra, dos implacáveis cowboys que, quando cansados dos tiroteios, assentavam-se na terra, constituíam família, regiam-se por códigos morais estritos, tementes a Deus e dispostos a defender suas propriedades com as armas que penduravam atrás da porta, mas jamais as deixavam de todo. Talvez o principal ícone desta América tenha sido John Wayne, tanto no cinema como em sua vida real, pessoal e pública. E um dos seus símbolos maiores, o Alamo[1]], em San Antonio, Texas, onde em 6 de março de 1836 (a localidade ainda se chamava San Antonio de Béxar) mais de uma centena de defensores foram massacrados pelas tropas mexicanas do General Santa Anna. O entusiasmo que levou inúmeros Americanos ao Alamo, incluindo aventureiros como David Crockett, e ao massacre, fez ressoar o estribilho famoso: Remember the Alamo! A vingança veio em 21 de abril, quando em San Jacinto, com um exército melhor preparado comandado por Sam Houston [[2]] as tropas mexicanas foram devastadas no horário da tradicional siesta, em 18 minutos! [
Quando do traiçoeiro ataque japonês a Pearl Harbor e do ataque às torres do WTC, este estribilho se fez ouvir novamente: remember the Alamo, onde perdemos uma batalha, mas ganharemos a guerra!
Sendo um movimento espontâneo, não se pode precisar um local e tempo para o nascimento do Tea Party [[3]], mas certamente começou com os imensos comícios da campanha de Sarah Palin.
comentei anteriormente a importância dos salões paroquiais locais no processo de decisão política: O centro da vida americana é a Igreja. Os salões paroquiais são importantes centros de decisão informal. Enquanto as crianças vão para a escola dominical, os adultos decidem. Personagens que não faltam são o juiz, o promotor, o xerife e o administrador ou supervisor escolar. Todos geralmente são eleitos com mandato fixo.
Glenn Beck percebeu a importância e o potencial daqueles grassroots [[4]]. Em 9 abril de 2009 apoiou e compareceu a um rally contra impostos a ser realizado exatamente no Alamo, o que deu um significado importantíssimo após a derrota dos mais profundos ideais americanos de liberdade em novembro de 2008. No seu programa daquele dia Beck anunciou: 'Eu tenho que ir lá. Eu queria ir porque era o Alamo, um símbolo. Eu queria ser parte daquele momento, o povo se manifestando pacificamente. Eu precisava captar aquele retrato da América, importante para ser mostrado a todo o País'. No Alamo simbolicamente se reuniria o povo americano e seus princípios e tradições, novamente derrotados por um inimigo momentaneamente superior para preparar uma nova San Jacinto.
O movimento foi tomando força e crescendo em números desde então e com a aproximação das Eleições Parlamentares em novembro vários candidatos apoiados pelo Tea Party tinham vencido as primárias, deslocando republicanos da velha guarda, homens from within theCapital Beltway [[5]]. Beck convocou um grande encontro nacional - Restoring Honor - para 28 de agosto de 2010 em Washington, D.C., no Lincoln Memorial, no mesmo local e dia em que 47 anos antes Martin Luther King Jr fez seu famoso discurso I Have a Dream. O comício foi um sucesso com quase um milhão de pessoas que protestavam contra os excessos da administração Obama, apesar de ter sido condenado por ONGs e os democratas como um movimento racista, o que é uma mentira, como comentou (comunicação pessoal) Donald Hank, proprietário do site Laigle's Forum: existem muito mais racistas no Partido Democrata, que acreditam que negros e hispânicos precisam ser ajudados pelos brancos porque não podem crescer por si mesmos. Por outro lado, existem muitos negros no Tea Party, os quais são perseguidos pelos democratas.
O maior risco para o movimento é ter sido parcialmente cooptado pelo Partido Republicano, ultimamente bem inclinado à esquerda, mas o movimento permaneceu majoritariamente independente e capaz de substituir velhos Republicanos para impedir a marcha da América para a esquerda, o que ajudou a purgar o Partido e injetar sangue novo no Congresso.
Ted Nugent, roqueiro e ativista conservador, nos dá uma idéia bem simples em What the Tea Party stand for?:
na gloriosa experiência do self government o povo não pode continuar sendo um mero espectador, como vem ocorrendo há muito tempo. Como patrão do governo, supõe-se que 'We The People' participemos ativamente da política, controlando os políticos, assegurando que nossa vontade seja a força por trás das políticas e da elaboração das leis. Lembram disto? Os americanos do Tea Party exigem retomar este controle imediatamente. (...) Não nos surpreende que os Glenn Becks e Sarah Palins deste país sejam grandes fontes de inspiração: escutá-los é como ouvir a pulsação do que o coração da América pode oferecer de melhor. Fé, esperança, caridade, honestidade, uma ética de trabalho Hercúlea e um rastro de energia positiva é tudo o que o Tea Party significa.
Mark Alexander, em The Cause of Liberty refere que o 'Tea Party é muito mais do que uma coalizão de conservadores Independentes com os que ainda se abrigam sob a bandeira republicana. O movimento é, nos seus fundamentos, uma federação filosófica de patriotas americanos que estão juntos, em primeiro lugar por uma devoção à Liberdade Essencial (Essential Liberty) definida em nossa Declaração de Independência e o Rule of Law sacralizado na nossa Constituição'. O movimento pretende obrigar os representantes eleitos a desinchar o governo e diminuir as despesas para que possa se comportar dentro dos limites de seus mandatos constitucionais e autoridade limitada.
Certamente a inspiração principal vem do Modelo de Restauração de Ronald Reagan, que infelizmente não pode ser implementado em profundidade por nunca ter contado com maioria nas duas casas do Congresso.
Outro inspirador foi o Dr. Martin Luther King Jr., que eloqüentemente disse: 'Aqueles que se engajam na ação direta não-violenta não são os criadores da tensão. Estamos somente fazendo emergir a tensão que já existe'. E é a isto que o Tea Party se dedica: levantar-se pelos nossos direitos ao American Way de forma não violenta, exatamente como ocorreu de forma gloriosa como o movimento pelos Direitos Civis na década de 60, o Tea Party representa um chamado já tardio à América, e mais importante ainda, aos políticos e seus cãezinhos amestrados da mídia. Fedzilla [[6]] está por trás de todos os problemas que a América enfrenta hoje. Mas o maior culpado da tragédia é a apatia do povo em monitorar o governo, escrutinar os candidatos, evitando os burocratas podres que pisam no American Dream!

O que fazer após a vitória de 2010?


O homem que pede à liberdade mais do que ela mesma, nasceu para ser escravo
[[7]]Alexis de Tocqueville na obra O Antigo Regime e a Revolução.
Newt Gingrich, ex Speaker of the House e importante líder Republicano, declarou recentemente que os conservadores não podem planejar somente para os próximos dois anos, mas o principal objetivo deve ser substituir a esquerda e criar uma maioria que governe de forma tão decisiva que resulte, nos próximos dez anos numa equipe que continue a construir uma América próspera, reconheçam a necessidade de manter uma América segura e a mais livre de todas as sociedades da história da humanidade.

'Existem mais de 513.000 funcionários eleitos nos EUA - direções escolares, conselhos municipais, legisladores estaduais, governadores, juízes e muitos mais. Este auto-governo significa que, se ensejarmos realmente uma onda de mudança que acabe com a maioria da esquerda que nos domina desde 1932, a escolha para o Salão Oval será um ganho fácil. 'We the people' tem que estar engajado se quisermos trazer o poder de Washington para nós. Portanto, é necessário um movimento popular que ganhe de volta os governos locais, os estaduais e, finalmente, o federal.
Ed Meese, um dos maiores constitucionalistas Americanos e ex Attorney General (equivalente a Ministro da Justiça entre nós) nas administrações Reagan, editor do inigualável The Heritage Guide to the Constitution, respondendo ao simpósio da Townhall Magazine "What Should Republicans Do Now?", ressaltou que um dos mais significativos fenômenos da recente campanha eleitoral foi o aumento do interesse na Constituição em todo o País. Gente do povo passou a ler a Constituição e examinar a forma pela qual o governo vem sendo exercido em contraste com o que a Constituição realmente estipula: o conceito de governo limitado, autoridade dividida entre os três poderes, os checks and balances, todos destinados a proteger a liberdade individual. Estes princípios vêm sendo ignorados e, em alguns casos, deliberadamente violados. E pelos três poderes: o Congresso prescinde da Constituição e atua de maneira onipotente, o Executivo aproveita os recessos do Senado para nomear 'czares' [[8]] jamais aprovados, o Judiciário toma a si assuntos que pertencem aos poderes eletivos como a condução da guerra.
A receita de Meese é: restaurar o governo constitucional, a supremacia da Constituição sobre os três poderes através de
1. que a maioria republicana deva usar suas prerrogativas sobre o orçamento para cortar e eliminar funções federais que não sejam autorizadas pela Constituição;
2. reforçar e fazer cumprir as regras que obrigam a vinculação à Constituição das leis em discussão;
3. aumentar a transparência obrigando a que toda legislação deva ser veiculada pela internet no mínimo uma semana antes das votações finais;
4. usar a autoridade das Comissões da Casa para investigar todos os Departamentos e Agências no sentido de impedir e punir fraudes e abusos de intromissão na vida e nos negócios dos cidadãos;
5. os Senadores Republicanos deverão assegurar que os Juízes sabatinados demonstrem claramente fidelidade à Constituição sem engajamento em ativismo judicial (alternativo);
6. o Congresso deverá focar na redução de despesas, tanto suas próprias como dos demais ramos do Governo;
7. toda lei deve se aplicar a todos os funcionários do Governo, sem exceção, da mesma forma e intensidade em que afetam ao povo;
E já encontrou nos novos eleitos em novembro com disposição para tanto: em artigo no Washington Times Stephen Dinan mostra que os republicanos da Câmara apresentarão tão logo empossados, uma resolução para ler o texto completo da Constituição no Plenário no próximo dia 6 de janeiro. O objetivo é enfatizar as regras do governo limitado impostas ao Congresso pelos Founders e tentar trazer de volta muitos desses princípios para a atividade legislativa diária. A proposta foi originalmente do Republicano da Virginia Robert W. Goodlatte, que declarou: 'este Congresso foi muito agressivo em expandir o poder do governo federal, o que foi um grande retrocesso'. Um claro exemplo foi dado pela Speaker of the House, Nancy Pelosi: perguntada se a Constituição autorizava que o Congresso obrigasse os cidadãos a adquirir um seguro saúde, ela respondeu: 'Você está falando sério? Você está falando sério?' Em outras palavras: o que a Constituição tem a ver com as leis aprovadas pelo Congresso?!
Pode-se notar por esta resposta que urge o retorno ao governo constitucional!
Mas não se pode esquecer a advertência de Glenn Beck: 'Os republicanos devem manter o foco na redução de seu próprio poder. Políticos da direita adoram falar de reduzir o tamanho e os objetivos de Washington, porém uma vez no poder, eles tendem a adquirir "small-government amnesia". Eles não querem limitar o poder do governo. Querem limitar o poder do governo quando o outro lado está no controle. E isto não é suficiente'.

Notas:
[1] Visitei o Alamo em 1985 e verifiquei a reverência dos visitantes americanos. Falava-se baixo como se estivéssemos numa Igreja (originalmente foi uma missão religiosa espanhola, Misión San Antonio de Valero) e compreendi porque o local permanece um 'local sagrado, o Santuário da Liberdade do Texas (Shrine of Texas Liberty) onde heróis fizeram o sacrifício final pela Liberdade'.
[2] Houston, nascido na Virginia, ex-Governador do Tennessee e amigo pessoal do presidente Jackson, foi um dos entrevistados por Alexis de Tocqueville em suas pesquisa para escrever Democracy in America.
[3] Tea Party: a reação revolucionária contra o aumento dos impostos cobrados pela Corôa Britânica após a aprovação do Stamp Act de 1765, que obrigava ao pagamento de um imposto mediante um selo aplicado a todos os documentos legais e jornais circulantes nas Colônias. Esta reação foi alimentada pelo brado de no taxation without representation (sem representação, nada de impostos) e ao boicote de mercadorias inglesas, chegando à rebelião plena em 16 de dezembro de 1773 em Boston quando os carregamentos de chá foram jogados ao mar.
[4] Grassroots: literalmente raiz de grama. Significa tanto o povo que vive nas pradarias e montanhas, caipiras, como movimento político criado e dirigido por políticos de comunidades. Implica no apoio de grupos que surgem natural e espontaneamente nos níveis locais por voluntários que dedicam seu tempo ao partido local, o que pode ajudar o partido no nível nacional, p. ex., um movimento para convencer pessoas a se registrar para votar. São completamente diferentes de movimentos orquestrados pelas tradicionais estruturas de poder.
[5] A Interstate 495, anel rodoviário que cerca Washington e seus subúrbios.
[6] Fedzilla: Federal+Godzilla, o monstro destruidor da famosa série japonesa.
[7] De Tocqueville refería-se ao fato de que aqueles que valorizam a liberdade pelos bens materiais que ela oferece não a mantiveram por muito tempo. Compare-se com o que disse Juan Domingo Perón: Los trabajadores argentinos nacieron animales de rebaño y como tales morirán. Para gobernarlos basta darles comida, trabajo y leyes para rebaño que los mantengan en brete.
[8] São cargos criados diretamente pelo Executivo e podem ter ou não os nomes submetidos à aprovação pelo Legislativo. Os "czares" serão abordados detalhadamente no próximo artigo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Em torno do laxismo penal

"Todos os séculos registram surtos espasmódicos de contracultura e anticivilização.
Neste fim de século, a revivescência cínica em voga é a bandidolatria. Cegos à dramatica situação da população atormentada por assaltantes e surdos aos gemidos das vítimas, insensatos há que se propõem a identificar no ladrão-assaltante uma auréola robin-hoodiana: ele, a seu modo e em última instância, estaria a promover redistribuição de renda...Seria cômico, se não fosse trágico.
Humanismo sadio é o que se volta para o trabalhador pacato: para a faxineira e para a lavadeira (que não delinqüem); para o balconista e para o ascensorista (que não delinqüem); para o metroviário e para o bancário (que não delinqüem); para o rurícola, cujo único crime é suplicar um pedaço de terra; para o funileiro, o carpinteiro, o operário em construção (que não delinqüem); para todos quantos se vêem submetidos a formas espoliativas de trabalho, abrigam-se em sub-habitações, alimentam-se precariamente, vestem-se mal, afligem-se em corredores de hospitais deficientes (e não delinqüem, não delinqüem, não delinqüem, porque mansos de espírito, puros, dotados de boa índole). “Falso e hipócrita humanismo é o que prodigaliza benesses aos que estupram, seqüestram, matam e roubam.”  

Fonte: JÚNIOR, Volney Corrêa Leite de Moraes. Crime e Castigo – Reflexões Politicamente Incorretas. Campinas: Millennium Editora, 2002.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Nosso agronegócio sob a tutela do Greenpeace

Diário do Comércio, 01 de janeiro de 2011.
Por Denis Lerrer Rosenfield (*)



Passou desapercebido, não tendo sido sequer noticiado, um convênio assinado entre o Greenpeace, a ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio) e o Banco do Brasil. O seu teor reside em condicionar o financiamento do Banco do Brasil a empresas do agronegócio à obediência de determinadas diretrizes ambientais que seriam certificadas pelo Greenpeace, que se tornaria, então, o intermediário entre a instituição financeira e empresas do agronegócio. A notícia consta do site do Greenpeace, como tendo acontecido no dia 1º de dezembro em Brasília.
Assinaram o convênio o coordenador do Grupo de Trabalho da Soja (GTS) Paulo Adario, do Greenpeace, Carlos Lovatelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, e o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Luís Carlos Guedes Pinto. Nos termos do acordo, o "Banco do Brasil (BB) anunciou hoje [1º de dezembro] que vetará o crédito rural a fazendeiros de soja que estiverem plantando em áreas recém-derrubadas da floresta".
 A mensagem soa ambientalista, politicamente correta, quando, na verdade, introduz uma grande novidade, a de que caberá ao Greenpeace determinar quais áreas teriam sido derrubadas ou não, segundo os seus próprios critérios e interesses. O objetivo imediato dessa ONG consiste em que outras instituições financeiras sigam o exemplo do BB, vindo, desse modo, a garrotear completamente o setor da agricultura e da pecuária, que passaria a depender de uma entidade global, hierarquizada internacionalmente, veiculando também provavelmente interesses de empresas e entidades de outros países que competem com o agronegócio brasileiro.
Utilizam, na verdade, o selo ambiental do politicamente correto para cercearem, cada vez mais, esse setor da economia brasileira, no caso, inclusive, com o apoio de um banco público, o que não deixa de ser absolutamente curioso, para não dizer paradoxal. AABAG está, consoante com a atuação internacional dessa ONG, caindo na armadilha ambientalista, devendo pagar o preço por isto no futuro. Ou seja, o que estaria por trás disso poderia ser uma campanha internacional empreendida contra a soja brasileira, do tipo "empresas de soja vendem produtos frutos da devastação da Amazônia", que teria forçado uma entidade empresarial a se subordinar a tais injunções.
Uma ONG internacional passa, então, a monitorar um setor do agronegócio com apoio de uma estatal. Trata-se do melhor dos mundos para essa ONG. E para o Brasil? Imaginem o Banco do Brasil financiando apenas projetos de agricultura e pecuária a partir de uma certificação de "naturalmente" corretos, fornecida pelo Greenpeace. Essa ONG viria a ter um poder enorme, cumprindo uma função de intermediação entre empresas e a instituição bancária.
Como se nada estivesse acontecendo, uma ONG que recebe ordens e orientações de sua sede na Holanda, segundo livros que tratam do assunto, publicados na França, começa a interferir diretamente nas negociações entre empresas, entidades empresariais e o BB.
Antes disto, o Greenpeace já tinha conseguido conquistar espaços junto à opinião pública brasileira e, especialmente, junto a algumas grandes empresas de supermercado, colocando-se como defensora da natureza, contra o desmatamento e, por via de consequência, como capaz de certificar se a pecuária brasileira é ou não causa de devastação ambiental. Refiro-me ao fato dessa organização ter assinado um acordo com uma grande rede comercial para certificar se o gado nela vendido, sobretudo vindo da região Norte, especificamente do Pará, é ambientalmente limpo. Ou seja, ela vem a funcionar como um órgão estatal, exercendo prerrogativas que deveriam ser do Ministério da Agricultura ou do Ministério Público.
Conquista, assim, um grande poder, podendo exercer uma influência enorme sobre os pecuaristas que se tornariam, então, reféns dela. Outra frente de sua atuação é a luta contra a revisão do Código Florestal. O seu mote é o mesmo: contra o desmatamento que seria produzido por essa revisão. Ora, não convém esquecer que o Relatório do Deputado Aldo Rebelo se posiciona contra o desmatamento, apresentando, mesmo, um prazo de 5 anos para que não haja novas zonas de desmatamento.
Nesse ínterim, as alterações legislativas seriam feitas e novos estudos produzidos. As pressões exercidas por essa ONG foram fortes quando da elaboração e discussão do Relatório e tendem, agora, com sua votação no início do próximo ano, a crescer.
O deputado Aldo Rebelo já fez manifestações contra a ação aos seus olhos nefasta dessa organização, assinalando a sua vinculação com empresas e governos estrangeiros, que procuram diminuir a competitividade da agricultura e pecuária brasileiras. O lema desses governos e entidades empresariais é: "Farms here (nos EUA), Forests there (no Brasil)".
Na França, graças a seu trabalho de cerceamento de empresas que trabalham com produtos florestais, como madeira, essa ONG conseguiu, inclusive, se colocar como certificadora da madeira proveniente do Brasil.
A empresa francesa, no caso, é Lapeyre, tendo o Greenpeace utilizado o seguinte lema: "Lapeyre destrói a Amazônia". Note-se que a empresa, quando a ONG começou a campanha contra ela, não soube reagir, não tendo partido para a disputa junto à opinião pública. No final, teve de curvar-se diante do Greenpeace, aceitando suas condições, porque começou a amargar grandes prejuízos.
Como a campanha de formação da opinião pública tinha sido bem sucedida, os clientes dessa empresa passaram a desertar. A forma de ação da ONG consiste em se apresentar com o "moralmente superior" em relação às empresas, que passariam por inescrupulosas. O silêncio da empresa francesa, no início do processo midiático contra ela, valeu-lhe grandes danos empresariais, além de ter o Greenpeace como um "interlocutor" que lhe dita condições de atuação. É isto que almejamos para o Brasil em 2011?

(*) Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRS
Fonte: http://www.dcomercio.com.br/materia.aspx?id=59392&canal=14

O legado de Lula

Por Percival Puggina


Há uma relação de causa e efeito entre a degradação da política brasileira e a ação do presidente Lula. Ele a deteriorou e comprometeu a democracia através do aparelhamento de tudo, da cooptação, da compra de votos com favores, do fracionamento e da descaracterização dos partidos.
Acabou! Não há bem que sempre dure (na perspectiva dos 87% que gostaram), nem mal que não acabe (segundo a ótica dos 13% descontentes).
Faço parte do pequeno grupo que não se deixa seduzir por conversa fiada, publicidade enganosa e não sente atração pelos salões e cofres do poder. Lula chega ao fim de seu mandato em meio a um paradoxo que cobra explicações: a política e os que a ela se dedicam despencaram na confiança popular para um índice de rejeição de 92%! Ora, como entender que os políticos valham tão pouco perante a opinião pública enquanto o grande senhor, o chefe, o mandante, o comandante da política, surfa nas ondas de uma popularidade messiânica?
Ouço miados nessa tuba.
Como pode?
Quanto mais crescia a popularidade do presidente mais decrescia o prestígio da política!
E ele nada tem a ver?
Chefiou durante quase uma década o Estado, o governo, a administração, uma fornida maioria parlamentar, o numeroso bloco de partidos integrantes de sua base de apoio, nomeou 8 dos 11 ministros do STF, estendeu seu braço protetor sobre as piores figuras da cena nacional e é a virgem do lupanar?
Eu aprecio os governantes realistas. Sei que o realismo se inclui entre as características de todos os estadistas. Seja como homem do governo, seja como chefe de Estado, o estadista lida com os fatos. Ideais elevados e pés no chão. Causas e consequências, problemas e soluções.
Realismo.
Isso me agrada.
Mas há um realismo cínico, desprovido de caráter, que desconhece limites éticos, que se abraça com o demônio se ele puder ser útil. A história está cheia de líderes assim e apenas os olfatos mais sensíveis parecem capazes de perceber o cheiro de enxofre que exalam.
Há uma relação de causa e efeito entre a degradação da política brasileira e a ação do presidente Lula. Ele a deteriorou e comprometeu a democracia através do aparelhamento de tudo, da cooptação, da compra de votos com favores, do fracionamento e da descaracterização dos partidos.
Assim como atuam os desmanches de automóveis, assim operou a política presidencial com os pedaços dos partidos nacionais, comprados das fontes mais suspeitas e pelos piores meios.
Quer dizer, senhores e senhoras arrebatados pela retórica lulista, que a democracia perdeu importância e pode ser uma coisa qualquer, apoiada por qualquer arremedo de política? Não se exige mais, de quem governa, um padrão mínimo de dignidade?
De coerência e respeito?
Não!
Pelo jeito, basta encher o bolso dos ricos e distribuir esmolas aos pobres para que surja um novo São Francisco em Garanhuns.
Ah, Puggina! Mas com ele a economia cresceu, o número de miseráveis diminuiu e se realizaram obras importantes. Vá que seja. Mas convenhamos: era preciso muita incompetência para que a economia ficasse travada em meio a um ciclo mundial extremamente favorável.
Pergunto: não estavam diligentemente postas pelos antecessores as condições (privatizações, estabilidade monetária e jurídica, integração ao comércio mundial, credibilidade externa, responsabilidade fiscal e estímulo ao agronegócio)?
Estavam, sim. Faltava o que Lula teve a partir de 2005: dinheiro jorrando, comprador e investidor, no mercado internacional. E ainda assim, entre 2002 e 2009, o crescimento do PIB per capita do Brasil teve um desempenho medíocre comparado com outros emergentes e, mesmo, com a maior parte dos países da América Latina.
O Partido dos Trabalhadores se construiu mediante três estratégias convergentes. Primeiro, a rigorosa adoção da cartilha gramsciana, assenhoreando-se dos meios de formação da cultura nacional, sem esquecer-se de qualquer deles - igrejas, sindicatos, movimentos sociais, universidades, meios de comunicação, material didático, música popular.
Segundo, combatendo tudo, mas tudo mesmo, que os governos anteriores buscavam implementar como condição para que o país retomasse o crescimento: Plano Real, abertura da economia, privatizações, cumprimento de contratos, pagamento da dívida, responsabilidade fiscal, busca de superávits, agronegócio e Proer.
Tudo era denunciado como maligno, perverso, antinacional, corrupto. Terceiro, destruindo de modo sistemático a imagem de quem se interpusesse no seu caminho para o poder, até restar, do imaginário de muitos, como a grande reserva moral da pátria.
Dois anos no poder bastaram para que os véus do templo se rasgassem de alto abaixo e os muitos petistas bem intencionados arrancassem os cabelos num maremoto de escândalos. Somente alguém totalmente irresponsável ou com desmedida ganância pelo poder haveria de desejar para a nação um governo social e economicamente desastroso. Não é e nunca foi meu caso.
Não escrevo estas linhas para desconsiderar o que andou bem no governo do presidente Lula. Mas não posso deixar de expor o que vi - e como vi! - de sórdido e prejudicial em seu modo de fazer política. Para concluir, temperando os exageros de uma publicidade que custou ao país, na média dos últimos três anos, R$ 900 milhões por ano, considero sensata a observação a seguir.
Quando Lula assumiu, em 2003, os principais problemas do Brasil situavam-se nas áreas de Educação, Saúde e Segurança Pública. Passados oito anos, haverá quem tenha coragem de afirmar que não persistem os problemas da Educação e que não se agravaram os da Saúde e da Segurança Pública?
Haverá 87% de brasileiros dispostos a se declarar satisfeitos com a situação nacional nesses três pilares de uma vida social digna?

Herói sem nenhum caráter

Demétrio Magnoli
O Estado de S. Paulo - 23/12/2010
 


Lula jamais protestou contra o monopólio da imprensa pelo governo cubano e nunca deu um passo à frente para pedir pelo direito à expressão dos dissidentes no Irã. Ele sempre ofereceu respaldo aos arautos da ideia de cerceamento da liberdade de imprensa no Brasil. Mas é incondicional quando se trata de Julian Assange: "Vamos protestar contra aqueles que censuraram o WikiLeaks. Vamos fazer manifestação, porque liberdade de imprensa não tem meia cara, liberdade de imprensa é total e absoluta."
Assange é um estranho herói. No Brasil, o chefe do WikiLeaks converteu-se em ícone da turba de militantes fanáticos do "controle social da mídia" e de blogueiros chapa-branca, que operam como porta-vozes informais de Franklin Martins, o ministro da Verdade Oficial. Até mesmo os governos de Cuba e da Venezuela ensaiaram incensá-lo, antes de emergirem mensagens que os constrangem. Por que os inimigos da imprensa independente adotaram Assange como um dos seus?
A resposta tem duas partes. A primeira: o WikiLeaks não é imprensa - e, num sentido crucial, representa o avesso do jornalismo.
O WikiLeaks publica - ou ameaça publicar, o que dá no mesmo - tudo que cai nas suas mãos. Assange pretende atingir aquilo que julga serem "poderes malignos". No caso de tais alvos, selecionados segundo critérios ideológicos pessoais, não reconhece nenhum direito à confidencialidade. Cinco grandes jornais (The Guardian, El País, The New York Times, Le Monde e Der Spiegel) emprestaram suas etiquetas e sua credibilidade à mais recente série de vazamentos. Nesse episódio, que é diferente dos documentos sobre a guerra no Afeganistão, os cinco veículos rompem um princípio venerável do jornalismo.
A imprensa não publica tudo o que obtém. O jornalismo reconhece o direito à confidencialidade no intercâmbio normal de análises que circulam nas agências de Estado, nas instituições públicas e nas empresas.
A ruptura do princípio constitui exceção, regulada pelo critério do interesse público. Os "Papéis do Pentágono" só foram expostos, em 1971, porque evidenciavam que o governo americano ludibriava sistematicamente a opinião pública, ao fornecer informações falsas sobre o envolvimento militar na Indochina. A mentira, a violação da legalidade, a corrupção não estão cobertas pelo direito à confidencialidade.
Interesse público é um conceito irredutível à noção vulgar de curiosidade pública. Na imensa massa dos vazamentos mais recentes, não há novidades verdadeiras. De fato, não existem notícias - exceto, claro, o escândalo que é o próprio vazamento. A leitura de uma mensagem na qual um diplomata descreve traços do caráter de um estadista pode satisfazer a nossa curiosidade, mas não atende ao critério do interesse público. O jornalismo reconhece na confidencialidade um direito democrático - isto é, um interesse público. O WikiLeaks confunde o interesse público com a vontade de Assange porque não se enxerga como participante do jogo democrático. É apenas natural que tenha conquistado tantos admiradores entre os detratores da democracia.
Há, porém, algo mais que uma afinidade ideológica, de resto precária. A segunda parte da resposta: os inimigos da liberdade de imprensa torcem pelo esmagamento do WikiLeaks por uma ofensiva ilegal de Washington.
No Irã, na China ou em Cuba, um Assange sortudo passaria o resto de seus dias num cárcere. Nos EUA, não há leis que permitam condená-lo. As leis americanas sobre espionagem aplicam-se, talvez, ao soldado Bradley Manning, um técnico de informática, suposto agente original dos vazamentos. Não se aplicam ao veículo que decidiu publicá-los. A democracia é assim: na sua fragilidade aparente encontra-se a fonte de sua força.
O governo Obama estará traindo a democracia se sucumbir à tentação de perseguir Assange por meios ilegais. O WikiLeaks foi abandonado pelos parceiros que asseguravam suas operações na internet. Amazon, Visa, PayPal, Mastercard e American Express tomaram decisões empresariais legítimas ou cederam a pressões de Washington? A promotoria sueca solicita a extradição de Assange para responder a acusações de crimes sexuais. O sistema judiciário da Suécia age segundo as leis do país ou se rebaixa à condição de sucursal da vontade de Washington? Certo número de antiamericanos incorrigíveis asseguram que, nos dois casos, a segunda hipótese é verdadeira. Como de costume, eles não têm indícios materiais para sustentar a acusação. Se estiverem certos, um escândalo devastador, de largas implicações, deixará na sombra toda a coleção de insignificantes revelações do WikiLeaks.
A bandeira da liberdade nunca é desmoralizada pelos que a desprezam, mas apenas pelos que juraram respeitá-la. Assange não representa a liberdade de imprensa ou de expressão, mas unicamente uma heresia anárquica da pós-modernidade. Contudo, nenhuma democracia tem o direito de violar a lei para destruir tal heresia. A mesma ferramenta que hoje calaria uma figura sem princípios servirá, amanhã, para suprimir a liberdade de expor novos Guantánamos e Abu Ghraibs.
"Vamos fazer manifestação, porque liberdade de imprensa não tem meia cara, liberdade de imprensa é total e absoluta." Lula não teve essa ideia quando Hugo Chávez fechou a RCTV, nem quando os Castro negaram visto de viagem à blogueira Yoani Sánchez que lançaria seu livro no Brasil. Não a teve quando José Sarney usou suas conexões privilegiadas no Judiciário para intimidar Alcinéa Cavalcante, uma blogueira do Amapá, ou para obter uma ordem de censura contra O Estado de S. Paulo. Ele quase não disfarça o desejo de presenciar uma ofensiva ilegal dos EUA contra o WikiLeaks. Sob o seu ponto de vista, isso provaria que todos são iguais - e que os inimigos da liberdade de imprensa estão certos.
Alguém notou um sorriso furtivo, o tom de escárnio com que o presidente pronunciou as palavras "total e absoluta"?

Carta de final de ano

     Prezados
 
Passei os últimos oito anos tentando através de meus comentários alertar a todos que tiveram a paciência de ler meus artigos sobre os rumos que nosso país estava tomando nas mãos de um covil de bandidos sob a liderança do mais sórdido político da história do país.
 
De uma forma ou de outra acho que ajudei, junto com todos aqueles que abraçaram a causa da defesa do país das mãos dos terroristas do PT,  muitas pessoas a terem uma visão mais clara da verdadeira face desse desgoverno espúrio que aí está, agora nas mãos deuma equipe laranja do atual presidente, que promoveu o maior derrame da imoralidade pública que uma sociedade pode registrar nos últimos cem anos.
 
A ditadura que está se formalizando na Venezuela, que para o presidente Lula, é uma perfeita democracia, demonstra o que vai ocorrer com o nosso país nos próximos dez anos.
 
Muitos sentimentos se misturam na minha angústia como cidadão, e entre eles a profundo desprezo que sinto por aqueles que se deixaram subornar por um grupo de lacaios do petismo e que dominam amplamente os poderes instituídos.
 
Não temos mais meias palavras: nosso país, nas mãos do movimento petista, se consolidou como uma República comandada por bandidos  de todos os matizes, e o mais grave, absolutamente protegidos por um Justiça aliada do projeto de poder perpétuo do PT.
 
Esse fato somente foi possível porque sofremos uma grotesca fraude social após a entrega do poder aos civis.
 
A única esperança para uma sociedade que tem sua Justiça obediente às ordens de bandidos é uma revolução armada, mas que para acontecer precisa de gente que tenha coragem de doar a sua própria vida para lutar por um futuro digno para seus filhos e suas famílias, livrando-os do risco da cova coletiva. Diante da sistemática ausência de qualquer reação relevante à deformação moral do país durante os últimos oito anos, isso não passa de uma utopia que somente serve para nos deixar sempre com a esperança de que um dia a mesa poderá ser virada e os bandidos, seus lacaios e descendentes devidamente punidos.
 
Temos que reconhecer o fato do desgoverno petista ter feito, na verdade,  com absoluta competência imoral, apenas o aproveitamento da semeadura da corrupção, da leviandade, da degeneração das relações público-privadas, do apodrecimento moral dos podres poderes da República, tudo provocado pelos desgovernos que o antecederam. Esta foi a Fraude da Abertura Democrática.
 
Somente uma sociedade entregue a uma miséria cultural e educacional alimentada por uma degeneração moral sem limites poderia permitir que o país acabasse sendo dominado por gente tão torpe.
 
Que sociedade é essa que sinaliza 94 % - segundo um cafajeste de primeira linha - de aprovação para um desgoverno:
 
- com mais de cem escândalos de corrupção sem solução,
- com uma dívida pública astronômica construída de forma imoral e desonesta,
- com um poder público sendo transformado em um  descarado cabide de empregos,
- com um sistema de saúde em estado deprimente,
- com um Parlamento que virou um balcão de negociatas da política prostituída,
- com parlamentares ganhando os maiores salários do mundo legislativo e agora   aprovando um aumento de mais de 140%, enquanto professores e policiais civis   e militares ganhando salários que os obrigam a ter vários empregos para sobreviver,
- com um dos piores sistemas educacionais públicos da história do país,
- com uma segurança pública que precisa das Forças Armadas para invadir morros em operações de guerra,
- com professores e policiais civis e militares tratados como mão de obra desqualificada,
- com inúmeras doenças dadas como erradicadas voltando a matar centenas de cidadãos,
- que gasta bilhões dos contribuintes para se auto promover,
- que pagou e ainda paga indenizações e pensões milionárias para terroristas que participaram direta ou indiretamente do assassinato de mais de 120 cidadãos que defendiam a democracia, etc.
 
O grande negócio agora para se ter sucesso na vida é virar político ou um lacaio do bandido.
 
O apodrecimento moral da sociedade não poupou nenhuma classe social: empresários, acadêmicos, religiosos, jornalistas, estudantes, juízes e todos os demais que aceitaram o papel de lacaios de um grupo de cafajestes que chama de democracia o suborno geral e irrestrito de uma sociedade e a prática sistemática de estelionatos eleitorais fundamentados na compra de votos dos sem consciência crítica através do assistencialismo permissivo que somente cria laços de escravidão permanente com um poder público espúrio ao preço das bolsas qualquer coisa.
 
Fomos transformados em uma nação de covardes, apátridas, entreguistas e de lacaios da gang dos quarenta e um.
 
Para todos os que não se enquadram neste perfil resta o lamento de saber que nossos filhos e suasfamílias estão entregues nas mãos de gente com o perfil dos genocidas comunistas que já
provocaram a morte de milhões de cidadãos em todos os países em que se instalaram.
 
Que Deus nos ajude na nossa luta pela sobrevivência diante de uma quadrilha que já aponta todas as suas armas para os que não se deixaram subornar materialmente ou moralmente.
 
“Feliz Natal e Próspero Ano Novo”
 
Geraldo Almendra

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O avarento Scrooge era esquerdista

 Ann Coulter

Mesmo em se tratando de instituições de caridade puramente seculares, os conservadores cristãos doam mais do que os outros americanos, o que é de surpreender, pois os esquerdistas se consideram especialistas em "entidades de caridade".

É época de Natal. Por isso, os esquerdistas, que não querem nada com Deus, estão citando a Bíblia para exigir a redistribuição de renda mediante força governamental. Jesus não disse "Bem-aventurados os burocratas da assistência social do governo, pois dos tais é o reino dos céus"?
Os esquerdistas estão sempre indignados e acusando os conservadores de afirmar que Deus está do nosso lado. O que de fato dizemos é: Estamos do lado de Deus, principalmente quando os esquerdistas estão exigindo que Deus seja banido das escolas públicas, querem impor leis de aborto legal irrestrito e exigem que o dinheiro do imposto dos trabalhadores seja gasto em "obras de arte" como quadros de Jesus submersos em jarro de urina ou quadros da Virgem Maria cobertos de fotos pornográficas.
Mas para esquerdistas como Al Franken, não há a menor dúvida de que Jesus apoiaria um aumento no seguro-desemprego federal.
Isso não tem nada a ver com a Bíblia, mas ilustra bem o que Shakespeare quis dizer quando disse que o "diabo pode recitar a Bíblia para atingir seus propósitos".
O que a Bíblia diz sobre fazer doação para os pobres é: "Cada um dê conforme determinou em seu coração, não com pesar ou por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.". (2 Coríntios 9:7 NVI)
Mas ser forçado a pagar impostos sob a pena de ir para a cadeia não é algo voluntário e raramente é algo feito com alegria. Além disso, nossos impostos não vão para "os pobres". Em grande parte, nossos impostos vão para funcionários governamentais que ganham mais dinheiro do que você ganha trabalhando.
As razões por que os esquerdistas adoram o governo redistribuindo dinheiro é que as políticas de redistribuição permitem que eles passem por cima da parte da caridade que envolve abrir o próprio bolso e entregar o próprio dinheiro. Conforme sabemos a partir de estudo após estudo, eles não aguentam fazer isso - a menos que lhes sejam garantidas entrevistas coletivas à imprensa onde eles possam se gabar de sua generosidade.
Arthur Brooks, professor da Universidade de Syracuse, fez um estudo sobre doações para entidades filantrópicas nos EUA. O estudo revelou que os conservadores doam 30 por cento a mais para instituições de caridade do que doam os esquerdistas, apesar do fato de que os esquerdistas têm rendas mais elevadas do que os conservadores.
Em seu livro "Who Really Cares?" (Quem realmente se importa?), Brooks comparou as doações de caridade de quatro grupos: conservadores cristãos, esquerdistas seculares, conservadores seculares e esquerdistas "cristãos".
A conclusão surpreendente dele foi que... o esquerdista Al Franken foi o homem que mais fez doações!
Ha, ha! Só estou brincando. Os conservadores cristãos, o maior grupo (perfazendo uns 20 por cento da população), foram os que mais fizeram doações para as instituições de caridade - 2.367 dólares por ano, em comparação com 1.347 dólares para os EUA em geral.
Mesmo em se tratando de instituições de caridade puramente seculares, os conservadores cristãos doam mais do que os outros americanos, o que é de surpreender, pois os esquerdistas se consideram especialistas em "entidades de caridade" que lhes dão um benefício direto, tal como balé ou as escolas particulares de elite para seus filhos.
Aliás, os cristãos, diz Brooks, "fazem mais caridade em todos os aspectos não religiosos que dá para se medir".
Brooks revelou que os conservadores doam mais em tempo, serviços e até sangue do que os outros americanos, notando que se os esquerdistas e moderados doassem tanto sangue quanto os conservadores doam, o abastecimento de sangue aumentaria em cerca de 50 por cento.
Deviam estabelecer bancos de sangue nas reuniões do movimento conservador Tea Party.
Em média, uma pessoa que frequenta cultos cristãos e não crê na redistribuição de renda doará 100 vezes mais - e 50 vezes mais para instituições seculares de caridade - do que uma pessoa que não frequenta cultos cristãos e crê fortemente na redistribuição de renda.
Os esquerdistas seculares, o segundo maior grupo (perfazendo 10 por cento da população), foram os mais brancos e ricos dos quatro grupos. (Alguns de vocês talvez os conheçam também como os "insuportáveis alardeadores".) Esses "mesquinhos de bom coração", como os chama Nicholas Kristof, colunista do jornal esquerdista New York Times, foram os mais sovinas, logo atrás dos conservadores seculares, que são caras brancos em grande parte jovens, pobres e excêntricos.
Apesar de sua riqueza e vantagens, os esquerdistas seculares fazem doações para entidades de caridade a uma taxa de 9 por cento menos do que todos os americanos e 19 por cento menos do que os conservadores cristãos. Eles tinham também "consideravelmente menos probabilidade do que a média da população de devolverem troco a mais lhes dado por engano por um caixa de loja". (Ao atender a deputada esquerdista Nancy Pelosi numa loja, conte o troco com todo cuidado!)
Contudo, os esquerdistas seculares têm 90 por cento mais de probabilidade de dar discursos santarrões no Senado exigindo a redistribuição forçada de renda. (Essa exigência subiu 7 por cento desde o ano passado!)
Examinaremos esquerdistas específicos na próxima semana.
É desnecessário dizer que os "esquerdistas cristãos" perfizeram o menor grupo (cerca de 6 da população).
O que é interessante é os esquerdistas cristãos foram também o "grupo mais confuso" de todos. Composto em grande parte de negros e unitaristas, os esquerdistas cristãos alegam que fazem quase tantas doações de caridade quanto os conservadores cristãos, mas a suposição é que os unitaristas são os responsáveis pelos números baixos deles, tornando-os o segundo colocado em doações para instituições de caridade.
Brooks escreveu que ele ficou chocado com suas conclusões, pois ele cria que os esquerdistas "genuinamente se importavam mais com os outros do que os conservadores se importavam" - provavelmente porque os esquerdistas estão sempre nos dizendo isso.
Por isso, ele refez os cálculos e coletou mais dados, mas os resultados que vinham eram sempre os mesmos. "No fim", diz ele, "não tive opção senão mudar minha perspectiva".
Cada segundo estudo sobre o assunto produziu resultados semelhantes. Aliás, um estudo sobre filantropia no Google revelou uma disparidade ainda maior, com conservadores fazendo 50 por cento mais doações do que os esquerdistas. O estudo do Google mostrou que os esquerdistas fizeram mais doações para causas seculares em geral, mas os conservadores ainda fizeram mais doações conforme a percentagem de suas rendas.
O Índice de Ajuda Humanitária analisou uma década de declarações estaduais e federais do imposto de renda e constatou que as regiões conservadoras eram muito mais generosas do que as regiões esquerdistas, com a percentagem mais elevada dos pães duros vivendo na região esquerdista do Nordeste dos EUA.
Em seu livro "Intellectuals" (Intelectuais), Paul Johnson cita Pablo Picasso debochando da ideia de que ele faria doações às pessoas que estão em necessidade. "Temo que você entendeu errado", explica Picasso, "somos socialistas. Não fingimos ser cristãos".
Feliz Natal a todos, tanto para avarentos esquerdistas quanto para cristãos generosos!


Copyright 2010 Ann Coulter
Traduzido e adaptado por Julio Severo.