segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O PT e a Revolução Legal


Fernando Rodrigues Batista

 “Se a esquerda dissesse a verdade não existiria”. (Carlos Semprún)


A história contemporânea da manipulação do consenso começou com a invenção pela Revolução Francesa da “Nação Política frente o povo e a Nação Histórica”; do consenso que uma sociedade política impunha coativamente sobre a natureza, os interesses, os sentimentos e a vontade da imaginária. Nação Política sacralizada como pessoa moral, sujeito da soberania “popular” em lugar da soberania monárquica.
Este é o lugar de origem do que Vacley Havel denomina “uma cultura de mentiras”. Os principais instrumentos do consenso oligárquico são o medo, a propaganda – uma invenção napoleônica – e a delegação do poder atribuído ao povo mediante a ficção da representação.
No final de 1970, conforme apontou o egrégio jurista alemão
Carl Schmitt, o velho e experimentado revolucionário profissional espanhol, Santiago Carrillo, em seu livro Eurocomunismo e Estado, confessa sua convicção de que os métodos violentos da revolução ilegal de Lênin e Trotski de outubro de 1917 hoje em dia estão antiquados. Estavam em seu momento e em seu lugar quando se tratava do transito brusco de um país agrário à uma sociedade moderna, quer dizer, industrial. Como revolucionário comunista, estes métodos eram legítimos, mas não legais. Hoje, sem embargo, estão defasados, porque hoje se trata do Poder Estatal em sociedades industrialmente desenvolvidas. Já não são um modelo adequado para uma revolução comunista, e há que serem substituídos por modelos pacíficos, isto é, Estatalmente Legais.
Carrilho soube, pois, aproveitar as experiências do fascismo de Mussolini e do nacional socialismo de Hitler. O Estado não está morto, senão mais vivo e necessário que nunca; porque o ESTADO É PORTADOR DA LEGALIDADE, que realiza este milagre de uma REVOLUÇÃO PACIFICA.
A REVOLUÇÃO, por sua vez, LEGITIMA O ESTADO, como compensação do beneficio de uma REVOLUÇÃO ESTATALMENTE LEGAL.
Assim que Robert Gellately da o sub-título de seu livro sobre a Alemanha nazi de: “entre a coação e o consenso”. A oligarquia socialdemocrata na Europa, e também no Brasil, aprendeu muito das experiências totalitárias e, portanto, é mais sutil: em vez da coação física coage as consciências com o pacifismo e as condiciona mediante a propaganda, ainda que, respaldados pelo ressentimento, certa dose de coação moral e física seja necessária no que se refere, especificamente, aos inimigos da “democracia”.
A força do socialismo sempre se deveu a propaganda mais que à suas presunções de cientificidade.
Pode se aplicar sem reservas, ao socialismo, o que disse
Carlos Semprún: “Se a esquerda dissesse a verdade não existiria”. Hoje, o socialismo é uma ideologia da primeira metade do século XIX, que, não obstante a queda do Muro de Berlim, deve ser analisado sob o prisma da dialética hegeliana que lhe inspira – através de sua aplicação ao materialismo histórico –, que faz com que negue hoje o que afirmou ontem, assim como a aspirante à presidente Dilma Rousseff se vale das várias cirurgias plásticas para apagar, não sua evidente feiúra - o que é impossível -, mas sim, seu passado sanguinário a serviço do comunismo internacional.
Assim, a "nova versão" do socialismo hodierno "modificou" (ao menos em tese) os meios - pois o fim sempre é o mesmo - outrora utilizados para obtenção do poder, e agora pauta sua conduta nos malfadados e corrompidos direitos humanos e em nome da “democracia”, palavra tão prostituída como as meretrizes que o Plano Nacional dos Direitos Humanos almeja tornar profissionais, com carteira de trabalho e tudo; esse Socialismo hodierno, dizíamos, trasnformou-se em religião da política, uma forma de gnose, que só se sustenta como superstição; socialismo que evoluiu teologicamente – como salienta Dalmacio Negro – para uma mescla de liberalismo progressista e esquerdismo niilista e, para o laicismo radical, religião do niilismo, religião estatal, religião substitutiva.
Para preencher o vazio de sua periclitada ideologia mecanicista pseudo-científica, esse tipo de socialismo se fez porta-voz da contracultura anarquizante e das bio-ideologias – da saúde, da feminista, da ecologista etc. -.
Naturalmente, contribuem para sua sobrevivência enquanto superstição os interesses criados, o domínio que têm da cultura e a colaboração de seus “rivais” políticos, atraídos por suas práticas: a política socializante cria muitos cargos e empregos – comissão disso, comissão daquilo, uma patifaria generalizada, para não dizer um palavrão –, proporciona beneficio e subvenções – alguém tem idéia dos valores exatos que o governo e instituições estrangeiras têm investido no MST, ONGs de homossexuais, abortistas, indigenistas, quilombolas etc., etc.? -; facilita múltiplos negócios mais ou menos legais. Tudo isso a cargo do – honesto, porém muitas vezes míope – contribuinte.
O socialismo progressista é uma fórmula vazia, da qual compartem todos os partidos, de direita e de esquerda do consenso, para que possam viver muito a custa do “resto”, como outrora disse Bastiat.
Para consegui-lo, é essencial a falsificação do consenso social apresentando-o como consenso político: o da sociedade política, como se esta fosse a sociedade total.
No Brasil, o esgotado consenso “socialdemocrata” instaurado em 1985, para substituir a “Ditadura” militar pela “ditadura” dos partidos, tenta perpetuar-se. Atendendo aos fatos, pode se afirmar que se propõe a fundar uma nova Sociedade, um novo Estado, e uma nova Nação. Par tal fim, se aventura agora em aniquilar definitivamente o ethos tradicional, a Nação Histórica e o Estado Nacional.
É muito expressiva desta intenção fundacional o necrofilico decreto que aprovou o famigerado Plano Nacional de Direitos Humanos – 3, em todos os seus aspectos. Ante a ética política é uma grave irresponsabilidade, não obstante que em momentos de dissolução como o presente, se perdem as noções morais elementares. A espécie de aliança do PT com o terrorismo, tanto do passado (do qual foram agentes toda caterva que forma a cúpula do partido) como do presente (atribuição do qualificativo de Movimento Social ao MST, a concessão de status de refugiados políticos para o italiano Cesare Battisti e os paraguaios Juan Arrom, Anuncio Martí e Víctor Colmán, estes últimos acusados de planejar o seqüestro e morte da filha do ex-presidente daquele país Raul Cubas), constitui uma prova irrefutável.
Intelectualmente, no que concerne a tosca
“Comissão da Verdade”, copiada da legislação peruana e na mesma linha da lei de Memória Histórica espanhola, do companheiro Zapatero, o qual segue manso, mansinho, as coordenadas do Juiz comunista, Garzón, assim como o Molusco segue as do desprezível Tarso Genro; esta Comissão, dizíamos, do ponto de vista intelectual, cai no absurdo de pretender passar por verdades as mentiras que lhe convenham, alterando assim, a essência de um período crucial de nossa história, tencionando apagar o que sentiu vivamente o povo brasileiro, o que sentiram as mulheres de São Paulo e Belo Horizonte quando saíram à rua para protestar contra um Governo a serviço da Anti-Nação, pois, na “verdade”, foi esse sentimento que deflagrou o movimento redentor de 1964, despontado com a Marcha de 19 de Março.
Nem foram outros, como querem fazer crer os Iluminados hoje no poder, os objetivos fundamentais daquele movimento senão erradicar do País a subversão e o terrorismo perpetrados por Dilma, José Dirceu, Tarso Genro, Paulo Vannuchi etc., os quais, agora, superando o senso comum – que não possuem -, pretendem justificar tais condutas através de punições severas àqueles que dentro do marco de suas atribuições fizeram a contra-revolução em face de um governo que pretendia conduzir o Brasil para o Comunismo.Por outro lado, politicamente, o PNDH em geral, objetiva: dividir os brasileiros na aplicação do princípio “divide e vencerás” - através de seu apoio irrestrito ao MST, aos movimentos indigenistas e quilombolas -; captar clientelas ante o atrativo das indenizações vultosas; monopolizar a educação (substituindo a família nas funções que cabem a esta como decorrência da própria natureza, negando-lhe os direitos naturais), a qual seguirá os ditames da “moral do Estado” – distribuição de preservativos e anticoncepcionais nas escolas a revelia dos pais, educação sexual os preceitos Onusianos e conseguinte disseminação do homossexuailismo -; esfacelar (ainda mais) a instituição da família com o aborto e uniões contra-natura (de homossexuais, e conseguinte possibilidade de adoção de crianças por parte destes); substituir a religião pela ideologia estatal e legitimar a nova forma do consenso a custa, se preciso, do suicídio do ser nacional, procedente de nossas raízes históricas.
Para concluir, como dizia Leonardo Castellani, de saudosa memória, quatro coisas existem na ordem intelectual que são sumamente más: a ignorância, o erro, a mentira e a confusão, e esta última, onde estamos entrando, é a pior, porque trata-se já de demência.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Descoberto o real programa de governo do PT

Dirceu anuncia a agenda e o projeto autoritários do partido e avisa: “A eleição de Dilma é mais importante do que a de Lula”

Por Reinaldo Azevedo (*)

Caros, o artigo acabou ficando um pouco longo, mas acho que vocês suportam, né? Afinal, ninguém entra aqui para ler textos curtos, hehe. Em palestra a sindicalistas, José Dirceu apontou que direção pretende seguir o partido caso Dilma Rousseff seja eleita. Leiam o que ele disse no detalhe e depois cotejem com o que se tem escrito neste blog nos últimos quatro anos e, para os leitores mais antigos, com o que tenho escrito nos últimos 12 ou 13. Está tudo aí. Não será por falta de aviso.
Na segunda, o deputado cassado José Dirceu, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, apontado pela Procuradoria Geral da República como “chefe da quadrilha do mensalão”, falou a sindicalistas na Bahia. Já comentei parte de sua palestra, em particular aquela em que ele se refere à liberdade de imprensa. A propósito: os petistas reclamaram da versão que circulou por aí e aqui: seria imprecisa. É verdade! Ele disse coisa pior — e revelou uma estratégia; já chego ao ponto. A íntegra da fala deste gigante está
aqui, com uma lacuna ou outra. Se vocês me pedissem para destacar a frase mais importante de sua intervenção, o emblema seriam as suas primeiríssimas palavras: A eleição da Dilma é mais importante do que a eleição do Lula porque é a eleição do projeto político, porque a Dilma nos representa.”
Na seqüência, Dirceu desenvolverá a tese, que é fato, segundo a qual Lula é muito maior do que o PT. Ele reconhece, e está certo, que o partido tem uma grande força e uma grande fragilidade: Lula! Sem a liderança carismática, a legenda jamais teria vencido duas disputas presidenciais e é muito provável que não tivesse agora o nome que lidera as pesquisas. Dilma foi uma invenção da figura maior do PT, surgida justamente da ausência de quadros, não do excesso. O escândalo não colou no Babalorixá, mas vitimou os medalhões, a começar do palestrante. O presidente está de tal sorte blindado que a população o vê ainda hoje, apontam pesquisas, como vítima de Dirceu! Assim, A eleição de Dilma é “mais importante” porque é a “eleição do projeto”. Qual projeto?
Dirceu resume assim a possível eleição da alaida:
“É a expressão do projeto político, da liderança do Lula e do nosso acúmulo desses 30 anos porque nós acumulamos, nós demos continuidade ao movimento social”. A fala do companheiro é horrorosa, uma espécie, assim, de stalinismo solecista, mas dá para entender muito bem aonde ele quer chegar. Dirceu toparia, assim, um pós-Lula com Aécio Neves, por exemplo? Só se fosse para usar e depois jogar fora. A proposta do partido é outra. Leiam:
Se nós queremos aprofundar as mudanças, temos que cuidar do partido e temos que cuidar dos movimentos sociais, da organização popular. Temos que cuidar da consciência política, da educação política e temos que cuidar das instituições, fazer reforma política e temos que nos transformar em maioria. Nós não somos maioria no país, nós temos uma maioria para eleger o presidente até porque fazemos uma aliança ampla. (…)”

Reforma política como instrumento da hegemonia petista
O líder petista não reúne exatamente as características de um intelectual — mesmo de um “inteliquitual petista”, este delicioso oximoro —, mas é evidente que essa fala, embora esgarçada, tem método, história e paternidade. É Gramsci! Ele está anunciando a seus pares — e não sabia que havia jornalistas presentes —  como pretende transformar em agenda da sociedade o que é uma agenda do PT. Para quê? Só para que todos sejamos mais felizes? Não! Ele está oferecendo o caminho para que o partido construa a sua hegemonia, como admitirá mais adiante. E que caminho é esse? Ele responde: “Cuidar das instituições” — imaginem o que isso significa. Com qual instrumento? Ele diz com todas as letras: “Fazer a reforma política”. Qual reforma política? Uma que transforme o PT em maioria. Essa que eles têm hoje, garantida pelo lulismo, que ainda depende de outras legendas, pertence à etapa do “acúmulo de forças”.

A guerra cultural
Dirceu sabe que não basta um petista chegar na televisão e dizer o que pretende para obter a adesão da população — não ao menos quando não se é Lula. Por mais que o Demiurgo continue por aí como animador da militância, o fato é que ele não poderá ser saliente a ponto de esmagar a figura de Dilma caso ela se eleja. Carisma para levar tudo sozinha, no muque, ela não tem. Como é que os petistas transformariam a sua agenda, em busca daquela maioria, na agenda da sociedade? A receita de Dirceu vai além de cuidar “dos movimentos sociais” e da “organização popular”.
Depois de lembrar que os ministros Alexandre Padilha e Orlando Silva e Lindberg Faria eram da UNE, ele afirma:
“(…) Nós temos que voltar a transformar o PT em uma instituição política. Uma instituição política tem valor, programa, instrumentos, sedes, atividades cultural, social, tem recursos que auto-sustentam, com o fundo partidário, porque nós temos que defender que exista o fundo partidário.”Ele quer mais recursos públicos nos partidos. E expõe o seu projeto:
“O fundo partidário brasileiro teria que ser duas, três vezes maior, que é a média do mundo. Então, nós temos que transformar de novo o partido para o que ele foi criado. É lógico que o PT é um grande partido político, tem força político-eleitoral, social. Nós já temos um acúmulo de políticas públicas, de experiência. Então, nós temos que fazer essa mudança no partido. Essa é a principal. E consolidar as nossas organizações populares, porque eles estão consolidando a deles. Você viu que agora eles criaram, eles estão criando, através das empresas, instituições para fazer disputa político-cultural e político-eleitoral, fundações, centros de estudo. Fora o que eles têm da mídia, do poder econômico. Podem observar. E estão mandando as pessoas para o exterior. Agora mesmo tiveram uma série de bolsistas, jornalistas, que vão para os Estados Unidos (…).Nós temos que fazer isso também. Mas nós temos que fazer sempre com alianças.”
Só um detalhe aí, leitor: “eles” somos “nós”, os não-petistas — que é como “eles” nos vêem. Essa fala é particularmente curiosa porque é consenso que os  ditos “movimentos sociais” e a maioria das ONGs são meras extensões do PT — como são as estatais, fundos de pensão, órgãos do estado. Contam-se nos dedos as “fundações” ou “centros de estudo” voltados, por exemplo, à defesa dos valores liberais. Notem, no entanto, que Dirceu as usa como uma espécie de ameaça para animar a militância.
Fazer a “guerra cultural”, promover o confronto de valores, tornar influentes as verdades do partido de modo que nem mesmo os replicadores se dêem conta de que divulgam uma agenda é um clássico do modelo gramsciano de organização partidária — adaptados aqueles fundamentos às necessidades presentes. Ora, lembremo-nos da máxima de Gramsci quando fala sobre o Partido, que chama de “Moderno Príncipe”:“O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”.
É o que pretende Dirceu. E quer contar com dinheiro público o suficiente para isso. Lembram-se daquele meu texto de 2004, que publiquei aqui — A incrível e triste história da joaninha boba e da vespa desalmada — em que denunciava a infiltração do PT nas instituições? Pois é. Está disponível para quem quiser ler. Eu afirmava que o projeto do PT era justamente esse que Dirceu anuncia.
Já está em curso
Dirceu está cobrando que o PT saia de uma certa acomodação burocrática, lembrando o quanto ele depende de Lula — o que é fato. E pede que exacerbe a guerra de valores, que já está em curso. Ao contrário do que ele diz, a presença do partido no que eles chamam “mídia”, com as exceções de praxe, é avassaladora. Ela ajudou Lula a satanizar o governo Fernando Henrique Cardoso e a inflar os próprios feitos. O PT já promove, e de maneira bem-sucedida, a tal guerra. Dirceu quer acirrá-la.
Dirceu pretende ser o Lênin de Passa Quatro do PT. Lênin fazia da mentira arma política mesmo nos intermináveis discursos feitos aos camaradas, extremando perigos, atribuindo aos inimigos poderes terríveis, que eles já não tinham, para manter a militância nos cascos. O “companheiro” faz o mesmo. E, então, entramos no capítulo da “mídia”.

A mídia
Afirma Dirceu: “O poder econômico se aliou com qual poder? Com a mídia. E qual é o poder que pode se contrapor ao poder econômico e ao poder da mídia no Brasil? É o poder político”.
Uau! O homem conta uma brutal inverdade à sua própria base política. Digam-me: o que seria esse tal “poder econômico”? Ontem, escrevi um post em que comentei a presença de dois grandes empresários no horário eleitoral de Dilma — gente que ou trabalha para o governo ou que recebe pesados subsídios. Os jornais estão coalhados de notícias sobre as dificuldades do PSDB para arrecadar recursos de campanha, enquanto a dinheirama de Dilma sai pelo ladrão. Quais setores da economia estão hoje alinhados, por exemplo, com o tucano José Serra? Não é segredo para ninguém que o grande capital, industrial e financeiro, se juntou à candidata do PT.
Assim, em que consiste esse tal “poder econômico” que estaria aliado à mídia? Dirceu conta uma mentira à sua turma porque isso mantém acesa a sua chama militante. E aproveito para fazer uma correção num texto que escrevi ontem e fazer justiça a José Dirceu. Noticiou-se aquie em toda parte que ele teria dito que José Sarney e Renan Calheiros não seriam éticos. Falso! Ao contrário, Dirceu os exaltou. Explico.
Logo depois de ter dito que o “poder econômico (?) se aliou à mídia”, ele afirmou que o “poder político” é o único que pode se contrapor a essa aliança. E acusou o jornalismo de perseguir esse poder “poder político” com as acusações de corrupção e fisiologia, mas de nada fazer contra “o poder econômico”. Mais adiante, referindo-se a Sarney e Calheiros, afirmou:
“Aquele movimento anti-Renan Calheiros, anti-Sarney… Vocês não vão acreditar que eles são éticos, né? Eles, evidentemente, o que queriam era romper a aliança nossa com o PMDB.”Atenção! Os não-éticos, segundo o Valente,  são os adversários de Renan e Sarney, os que criticavam os desmandos dos dois. Pensávamos que Dirceu, em sua fala, tinha expressado ao menos essa pontinha de bom senso. Ao contrário: ele está sustentando que as evidências contra os dois patriotas faziam parte de uma conspiração para romper a aliança PT-PMDB. Ele está acusando a “mídia” de pegar demais no pé dos políticos. Se eleita, Dilma tende a ter uma esmagadora maioria no Congresso. Podem esperar um grande alinhamento Executivo-Legislativo contra o jornalismo.

E agora a liberdade de expressão propriamente
Dirceu, de fato, não disse exatamente o que se publicou sobre a liberdade de expressão. Transcrevo (a fala é confusa, porém… clara!):
“Dizem que nós queremos censurar a imprensa. Diz que o problema é a liberdade de imprensa. O problema do Brasil é excesso, bom..., é que não existe excesso de liberdade, mas o abuso do poder de informar, o monopólio e a negação do direito de resposta e do direito da imagem - que está na Constituição igualzinho à liberdade. A Constituição não colocou o direito de resposta e de imagem, a honra, abaixo ou acima da proibição da censura e da [proibição da] censura prévia, corretamente, ou do direito de informação e da liberdade de imprensa, de expressão. São todas cláusulas pétreas.”
Ele ia dizendo, sim, que o problema do Brasil é “excesso de liberdade”, mas se conteve. Poderia pegar mal até para a sua turma. Então submeteu a fala a uma torção. Existiriam abuso do “poder de informar, o monopólio e a negação do direito de resposta”. Sei! O que seria “abuso do poder de informar”? Uma comissão petista talvez defina isso algum dia. E “monopólio”? O telespectador, o ouvinte, o leitor, o internauta não são livres para escolher o querem ver, ouvir, visitar, ler? O direito de resposta requer, sim, regulamentação, mas está sendo praticado.
Há aí uma agenda. Se vocês lerem a íntegra de sua palestra, ele deixa claro que outra batalha essencial do governo Dilma é a “democratização dos meios de comunicação”. As várias conferências promovidas pelo governo deixaram claro o que eles entendem por isso: CENSURA E CONTROLE. Ora, digam-me quem é que poderia definir o que é “abuso do direito de informar”…Talvez uma comissão de sindicalistas pelegos.

Encerrando por ora…
Dirceu expôs ainda a diretriz econômica, centrada no fortalecimento do estatismo — o que rendeu até elogios ao governo Geisel — e citou outras reformas que considera importantes, como a “tributária e o problema da terra”. E fica claro em seu texto que importante mesmo é isto: “Nós temos que repensar o sistema político brasileiro. E nós somos o maior interessado porque a direita está usando isso para desqualificar a política e para afastar o povo da política.”
“Nós”, no caso, são os petistas.
Não se esqueçam de que Dilma já flertou com a proposta de fazer uma Constituinte exclusiva para tocar a reforma política e a reforma tributária. Caso seja eleita, talvez nem precise chegar a tanto com a maioria que terá no Congresso.
Finalmente apareceu o programa de governo do PT. E o programa de governo do PT é “cuidar das instituições” para garantir o poder eterno ao PT.



quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Os perigos do Partido do Polvo


Nivaldo Cordeiro (12/09/2010)
Eu pensei que a prisão do governador do Amapá, Waldez Góes, e outras autoridades do Estado, fosse tomar conta do noticiário do final de semana. A mim me parece que a ação da Polícia Federal foi uma tentativa do Palácio do Planalto de criar um fato importante para substituir as manchetes desfavoráveis ao governo que têm se sucedido por cerca de quinze dias, desde que se descobriu a criminosa ação dos que quebraram o sigilo fiscal e bancário de pessoas eminentes ligadas ao PSDB e de familiares de José Serra. Não deu certo.
[Cabe aqui perguntar a legitimidade da Polícia Federal e da Justiça Eleitoral estarem fazendo um “segundo turno” no tapetão, cassando o voto popular e distorcendo a legítima representação. Cada vez mais, no Brasil, a alta burocracia policial e da justiça está se substituindo ao povo e se assenhorando do Estado. Vivemos uma ditadura policial moderada. Que autoridade tem a Polícia Federal de Lula, chefe de um partido corrupto, para cassar o voto de eleitos legítimos em nome do combate à corrupção?]
O furo da revista Veja, que tem provas de transações criminosas dentro do Palácio do Planalto, recebeu a capa da revista, que novamente utilizou a expressão da semana anterior – partido do polvo – para se referir ao PT e à crescente fusão entre o Estado e o partido governante. Os jornais O Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo de hoje repetiram a denúncia, ampliando a notícia. É certo que o noticiário tomará as manchetes da semana que entra, agora em momento bem mais próximo da data da eleição. O PT não consegue substituir as manchetes desfavoráveis que ele próprio tem gerado contra si mesmo.
A revista fez um trabalho primoroso para a opinião pública, revelando o balcão de negócios que se instalou ao lado da sala do presidente da República. O título da matéria não poderia ser mais explícito: “Propina dentro do Palácio do Planalto”, envolvendo ninguém menos do que a sucessora de Dilma Rousseff na Casa Civil da Presidência da República, Erenice Guerra.
Cabe aqui perguntar se tão prolongado período de notícias negativas na grande imprensa, tanto jornais quanto televisões, não afetaram as intenções de voto, como sugere a última divulgação das pesquisas do Datafolha. Reafirmo: essas pesquisas são falsas, mentirosas e não podem ser levadas em conta. Há um conluio desses institutos de pesquisa com o partido do polvo para induzir o voto popular. Ou talvez coisa pior: mais de uma pessoa autorizada tem me falado do desconforto do uso das tais urnas eletrônicas, que impossibilitam uma auditoria na contagem de votos. Estarem diante de um escândalo ainda maior, burlando a vontade popular? A ousadia mentirosa dos institutos de pesquisa agride a inteligência dos observadores bem informados.
Não há limites morais para os dirigentes do partido do polvo. São capazes de tudo para manterem seu poder. De fato, o Brasil corre grandes perigos, pois está nas mãos de uma quadrilha política que em nada difere de uma quadrilha criminosa comum. O PT é um partido marxista-leninista que acredita que os fins justificam os meios. E, pior, sua nomenclatura viciou-se no exercício do poder, onde adquiriu riquezas e privilégios, estando grudada nele como carrapatos no couro dos bois. Essa gente está disposta a pagar qualquer preço para não ser apeada do poder.
As eleições do próximo dia 03 de outubro será o último momento para que o voto possa ser usado como instrumento de alternância de poder. Se Dilma Rousseff for consagrada cairemos numa ditadura legal, a pior delas.