sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A América Latina mergulha na ante-câmara do terrorismo vermelho


Anápolis, 11 de agosto de 2010

Caros irmãos no Episcopado,

Suportem-me, que o menor dos irmãos lhes possa dirigir uma palavrinha amiga, mas angustiada de quem se prepara, temeroso, para partir.

Pelo amor de Deus! Estamos diante de uma situação humanamente irreversível. A América Latina, outrora “Continente da Esperança”, como a saudava João Paulo II, hoje mergulha na ante-câmara do terrorismo vermelho, aliás, como prenunciava aos pastorinhos de Fátima a Senhora do Rosário.

Podem parecer, a essa altura, resquícios de uma idade de trevas, mas tudo acontece como se ouviu em dezembro de 1917 (“a Rússia comunista espalhará seus erros pelo mundo, com perseguições à Igreja, etc.”). Assusta-me a corrupção dentro da Igreja, o desmantelamento dos seminários, a maçonização de Cúrias e Movimentos.

Horroriza-me a frieza com que olhamos tal estado de coisas. Somos pastores ou cães voltados contra as ovelhas? Somos ou não, alem disso, cúmplices de uma política atéia empenhada em apagar os últimos traços da nossa vida cristã?

Perdoem-me, mas não poderia deixar de falar, sem me sentir infiel à minha consciência e à minha Igreja.
Parabéns a Dom Luiz Gonzaga Bergonzini e a Dom Henrique Soares da Costa.

In Xto et Matre,
Dom Manoel Pestana Filho

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um plebiscito para dividir fazendas?

 Dom Cristiano Krapf



Diante da pobreza de milhões de brasileiros nesta terra tão rica em recursos naturais, até pessoas bem intencionadas se deixam instrumentalizar por adeptos de uma ideologia anticapitalista e antineoliberal que ainda têm a ilusão de construir uma sociedade mais justa pelo atalho da luta de classes.
No último dia da Reunião dos Bispos em Brasília tivemos um tempinho para sugerir emendas para um texto de 55 páginas sobre a Questão Agrária.  O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, FNRA, quer envolver a Igreja na luta por uma lei arbitrária para diminuir as fazendas.
Faz muito tempo que tal projeto é tramado nos bastidores de setores que desejam radicalizar a reforma agrária. Falei que seria melhor insistir na exigência da função social de toda propriedade, em vez de perturbar o trabalho de pessoas que fazem a terra produzir. Tentei oferecer um texto crítico que fiz às pressas com argumentos razoáveis contra tentativas de atacar e atrasar o desenvolvimento de uma agricultura moderna num país com a vocação de ser o celeiro do mundo neste século de perspectivas ameaçadoras de conflitos crescentes por alimento, por energia e por água.
Não conseguindo distribuir a todos o meu texto sobre o tal plebiscito, o mandei aos colegas pela internet, junto com outro mais elaborado sobre a Questão Agrária para Bispos, que ainda está guardado no meu Blog, porque se refere à primeira versão do texto da CNBB, do qual ainda não vi a versão final.
Quando questionei o envolvimento oficial da CNBB numa campanha contra grandes propriedades rurais que só servirá para agitar ainda mais o ambiente rural, recebi a resposta que não seria publicado um documento oficial da CNBB, mas apenas um texto para estudo. No entanto, agora já começou a campanha com coleta de assinaturas e mobilização para o grito dos excluídos. Quem não participar, será acusado de estar do lado dos ricos contra os pobres.
Quando um bispo ou uma pastoral da CNBB assume posições muito definidas, colegas não gostam de apresentar opiniões divergentes. Foi assim quando alguns queriam mobilizar a Igreja contra projetos de transposição do São Francisco e contra hidroelétricas na Amazônia. O mesmo acontece agora com a Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade da Terra.
Não vejo por que todos os bispos devam marchar unidos contra projetos complicados que dividem as opiniões dos envolvidos e dos entendidos. Muitos deles fabricam argumentos para justificar suas posições, em vez de escolher seus objetivos de acordo com a verdade objetiva da razão.
Precisamos cuidar da unidade na fé. Em questões de política econômica, não cabe à CNBB impor seus pontos de vista a ninguém. As opiniões de cada bispo valem de acordo com o peso dos seus conhecimentos manifestados nos seus argumentos. Viva a liberdade!
A situação fica mais complicada quando uma proposta já assumida por pastorais foi apresentada por uma comissão nomeada pela presidência e passou pela maioria. No entanto, mesmo assim, o povo tem o direito de ouvir também o outro lado.
Não quero impor as minhas opiniões. Quero apenas oferecer meus argumentos aos interessados no assunto, e deixar claro que nenhum católico é obrigado a participar de uma campanha promovida por uma entidade qualquer, mesmo que conte com o apoio da CNBB. A Igreja não pode exigir que todos tenham a mesma opinião sobre problemas de política econômica, nem que todo católico venha embarcar na canoa furada desse “plebiscito”.
Na proposta que surgiu na nossa Assembléia faltou definir coisas importantes:
1 - Qual deve ser o tamanho limite das propriedades?
2 - A desapropriação será com indenização ou por confisco sumário?
3 - Quam receberá a terra pronta e as benfeitorias de presente? O invasor que chegar primeiro? Os amigos dos donos do poder?
Agora, a cartilha do FNRA já diz qual deve ser o Limite da Propriedade: 35 módulos fiscais. A cartilha explica que um módulo tem entre cinco e 110 hectares. O INCRA diz que regiões boas para culturas permanentes em São Paulo têm um módulo de dez hectares. Assim, propriedades acima de 350 hectares serão divididas. Você quer um pedaço?
Com leis que protegem fazendas produtivas já surgem invasões de áreas plantadas. Na Bahia, invasores de terras alheias cortaram pés de eucalipto com o argumento que pobre não come madeira. Alguém imagina que grandes plantações de laranja, café, cana, soja, eucalipto, seriam entregues sem resistência ao primeiro invasor que chegar? Ou será que ainda existem movimentos que sonham com revoluções?
No sertão difícil, os módulos são bem maiores, mas o pessoal não dorme no ponto. Vão procurar as regiões melhores. Já existem assentamentos que produzem pouco, mas que receberam casas perto de cidades. Outros querem lugares de futuro turístico. Assentamentos distantes só sobrevivem enquanto continuam recebendo ajuda dos pagadores de imposto.
Acho que a lei para limitar o tamanho das fazendas não vai vingar. Vingando ou não, a campanha vai provocar confusão e aumentar os conflitos.
Resumindo, a proposta do FNRA é esta: Confiscar as grandes fazendas:
Áreas acima de 35 módulos seriam automaticamente incorporadas ao patrimônio público e destinadas à reforma agrária.  Em vez de dividir fazendas, por que não dividir os milhões dos milionários?  Para começar, seria bom tirar o ICM da Cesta Básica e diminuir os juros. Só com juros da sua dívida o Governo transfere aos ricos dez vezes mais do que dá aos pobres pelo  Bolsa  Família.
 

Dom Cristiano Krapf

Bispo de Jequié (BA)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

“Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”

“Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”


“Com esta frase Jesus definiu bem a autonomia e o respeito, que deve haver entre a política (César) e a religião (Deus). Por isto a Igreja não se posiciona nem faz campanha a favor de nenhum partido ou candidato, mas faz parte da sua missão zelar para que o que é de “Deus” não seja manipulado ou usurpado por “César” e vice-versa.
Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito à vida humana e aos valores da família, pois tudo isso é de Deus e não de César.
Vice-versa extrapola da missão da Igreja querer dominar ou substituir-se ao Estado, pois neste caso ela estaria usurpando o que é de César e não de Deus.
Já na campanha eleitoral de 1996, denunciei um candidato que ofendeu pública e comprovadamente a Igreja, pois esta atitude foi uma usurpação por parte de César daquilo que é de Deus, ou seja o respeito à liberdade religiosa.
Na atual conjuntura política o Partido dos Trabalhadores (PT) através de seu IIIº e IVº Congressos Nacionais (2007 e 2010 respectivamente), ratificando o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) através da punição dos deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, por serem defensores da vida, se posicionou pública e abertamente a favor da legalização do aborto, contra os valores da família e contra a liberdade de consciência.
Na condição de Bispo Diocesano, como responsável pela defesa da fé, da moral e dos princípios fundamentais da lei natural que – por serem naturais procedem do próprio Deus e por isso atingem a todos os homens -, denunciamos e condenamos como contrárias às leis de Deus todas as formas de atentado contra a vida, dom de Deus, como o suicídio, o homicídio assim como o aborto pelo qual, criminosa e covardemente, tira-se a vida de um ser humano, completamente incapaz de se defender.
A liberação do aborto que vem sendo discutida e aprovada por alguns políticos não pode ser aceita por quem se diz cristão ou católico. Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto. (confira-se: Ex. 20,13; MT 5,21).
Isto posto, recomendamos a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”,  independentemente do partido a que pertençam.
Evangelizar é nossa responsabilidade, o que implica anunciar a verdade e denunciar o erro, procurando, dentro desses princípios, o melhor para o Brasil e nossos irmãos brasileiros e não é contrariando o Evangelho que podemos contar com as bênçãos de Deus e proteção de nossa Mãe e Padroeira, a Imaculada Conceição.”

Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, Bispo de Guarulhos-SP

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O divórcio-relâmpago fragiliza ainda mais a família



Ives Gandra da Silva Martins* 
(Folha de São Paulo – 08/07/2010).

A emenda constitucional, aprovada pelo Congresso, objetiva facilitar a obtenção do divórcio, suprimindo requisito relativo ao lapso temporal --de um ano contado da separação judicial e dois anos da separação de fato--, denominada de a "PEC do divórcio-relâmpago", a meu ver, fragiliza ainda mais a família, alicerce da sociedade, nos termos do artigo 226 'caput' da Constituição Federal.
Na medida em que os mais fúteis motivos puderem ser utilizados para que a dissolução conjugal chegue a termo, sem qualquer entrave burocrático, possivelmente, não possibilitando nem o aconselhamento de magistrados e nem o de terceiros para a tentativa de salvar o casamento, o divórcio realmente será relâmpago.
Não poucas vezes, casais que estão dispostos a separar-se, não percebendo o impacto que a separação pode causar nos filhos gerados, quando aconselhados e depois de uma reflexão mais tranquila e não emocional, terminam por se conciliar. 
 
ÍMPETO
 
Conheço inúmeros exemplos nos quais o ímpeto inicial foi contido por uma meditação mais abrangente sobre a família, os filhos e a vida conjugal, não chegando às vias do divórcio pela prudência do legislador ao impor prazos para concedê-lo e pela tramitação que permite, inclusive, a magistrados aconselharem o casal em conflito.
A emenda mencionada autoriza que, no auge de uma crise conjugal, a dissolução do casamento se dê, sem prazos ou entraves cautelares burocráticos. Facilita, assim, a tomada de decisões emotivas e impensadas, dificultando, portanto, uma solução de preservação da família, que foi o objetivo maior do constituinte ao colocar no artigo 226, que o Estado prestará especial proteção à família.
Entendo que a "PEC do divórcio-relâmpago" gera insegurança familiar, em que os maiores prejudicados serão sempre, em qualquer separação, os filhos, que não contribuíram para as desavenças matrimoniais, mas que viverão a turbulência da divisão dos lares de seus pais, não podendo mais ter o aconchego e o carinho, a que teriam direito --por terem sido por eles gerados ou adotados-- de com eles viverem sob o mesmo teto.
Como educador há mais de 50 anos, tenho convivido com os impactos negativos que qualquer separação causa nos filhos, que levam este trauma, muitas vezes, por toda a vida.
Por isto, sou favorável à maior prudência, como determinou o constituinte de 88, no parágrafo 6º do artigo 226 da Lei Maior. Tenho para mim, inclusive, que o capítulo da Família na Carta Magna de 88, por ser a família a espinha dorsal da sociedade, deveria ser considerado cláusula pétrea. 
 
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS é professor emérito da Universidade Mackenzie, em cuja Faculdade de Direito foi titular de Direito Constitucional.


terça-feira, 13 de julho de 2010

GÊNERO: O NOVO NOME DO MARXISMO

Por  Álvaro Fernández*

Muitos identificaram a queda do marxismo com a queda do Muro de Berlim; mas China segue sobre um regime marxista e em Cuba não se viu ainda “a hora final de Castro”, como profetizara Oppenheimer. Do que muitos não se deram conta, é que com a queda do Muro de Berlim, caiu apenas a União Soviética; mas o marxismo, como materialismo histórico ateu que é, segue gozando de muito boa saúde. Porque em que pese o marxismo como regime de governo totalitário e como modelo econômico tenha feito pedaços da URSS, ninguém pode negar que vestido de hedonismo, é uma cultura, se não dominante ao menos influente em muitos ambientes; sobretudo em ambientes capitalistas e, portanto consumistas. Sobre isso se poderia – se deveria – escrever um livro; através destas paginas, pretendemos apenas dar uma idéia geral do problema real que enfrentam dia a dia aqueles que lutam pela vida e pela família. 
É imponente o paralelismo encontrado entre a descrição do marxismo de Gramsci realizada pelo Dr. Rafael Gambra em seu livro “História simples da filosofia” (Editorial Rialp, pág. 213, 21ª ed.) e um documento publicado pela Conferencia Episcopal Peruana intitulado “Perspectiva de gênero: seus perigos e alcances”, que se encontra no n° 21 da Revista Arbil.
Segundo Gambra:  "As duas últimas décadas conheceram [...] uma evolução importante na ideologia (e práxis) do marxismo. Trata-se da obra que o marxista Antonio Gramsci (1891-1937) escreveu durante seus últimos anos nos cárceres da Itália fascista. Nela se dá uma moderação das teses rigorosas do materialismo histórico com fins mais didáticos. Para Gramsci as idéias e crenças não são simples emanação passageira da economia, senão que possuem uma realidade que constitui a cultura em que cada homem e cada povo vivem imersos. A idéia propulsora do pensamento gramsciano é que a Revolução nunca se realizará verdadeiramente enquanto não se produza de certo modo orgânico e dialético dentro do que Gramsci chama uma cultura, que é o que haverá de demonstrar e substituir o próprio tempo que se utiliza".
Aqueles que lutam pela vida e pela família, conhecem os perigos da perspectiva de gênero, e sabem a que se refere Gramsci quando fala de “demonstrar e substituir uma cultura ao mesmo tempo que se utiliza”: com efeito, os promotores do gênero, propõem “desconstruir a família - e por extensão a sociedade -, para logo rearmar a sociedade com parâmetros marxistas”. De acordo com o folheto da C.E.P, para as “feministas de gênero”, isto “implica classe, e a classe pressupõem desigualdade. Lutar por desconstruir o gênero – os papeis socialmente construídos – levará muito mais rápido a meta”.
Esta coincide em chegar a uma sociedade sem classes de sexo”. Meta que coincide, obviamente, com os fins da revolução marxista. O incrível do caso, é que tudo isto o fazem com a cumplicidade do liberalismo, e inclusive de alguns setores mais “conservadores” ou considerados de “direita” por alguns. O conceito “desconstrução” é considerado pelos ativistas de gênero, como a tarefa de denunciar as idéias e a linguagem hegemônica (quer dizer, aceitas universalmente como naturais), com o fim de persuadir as pessoas fazendo-lhes crer que suas percepções da realidade são construções sociais”.
Mas sigamos com a analise que Gambra faz sobre a obra de Gramsci e seu marxismo cultural: Se a revolução brota de um fato violento ou de uma ocupação militar, sempre será superficial e precária, e se manterá assim mesmo em um estado violento. O homem não é uma unidade que se justapõem a outras para conviver, senão um conjunto de inter-relações ativas e conscientes. Todo homem vive imerso em uma cultura que é organização mental, disciplina do eu interior e conquista de uma superior consciência através de uma autocrítica, que será motor da mudança. A vida humana é uma rede de convicções, sentimentos, emoções e idéias; quer dizer, criação histórica e não natureza.
Não há um só defensor ou defensora do gênero que não passe por pacifista, por vitima ou por defensor/a de todas as vitimas de ataques e discriminações que impõem a injusta sociedade em que vivem. A agenda de luta passa por não violenta, mas nos fatos violenta as consciências, o que é muito pior. Fica claro assim mesmo, que para Gramsci, tudo é criação histórica (“construção cultural” em código de “gênero”) e não natureza. Neste sentido, cabe lembrar que as feministas de gênero, consideram que o homem e a mulher adultos são construções sociais; que na realidade o ser humano nasce sexualmente neutro e que logo é socializado em homem ou mulher. Esta socialização, dizem, afeta a mulher negativa e injustamente. Por isso, as feministas propõem depurar a educação e os meios de comunicação de todo estereótipo e de toda imagem especifica de gênero, para que as crianças possam crescer sem que se lhes exponha a trabalhos “sexo-específicos”. Por isso falam também de “papéis socialmente construídos” quando se referem às ocupações que uma sociedade assinala a um ou outro sexo.
Segue o Dr. Gambra:
Daí o interesse de Gramsci pelo cristianismo ao qual considera germe vital de uma cultura histórica que penetra a mente e a vida dos homens, suas reações profundas. Será preciso, para que a revolução seja orgânica e “cultural”, adaptar-se ao existente e, pela via da critica e da auto-consciência, desmontar os valores últimos e criar assim uma cultura nova. O aríete para essa transformação será o Partido, vontade coletiva e disciplina que tende a tornar-se universal. Sua missão será a infiltração na cultura vigente para transformá-la em outra nova materialista, à margem da idéia de Deus e de todo valor transcendente.
Não é casualidade então, que faz dois anos, as feministas de gênero e seus sequazes, tenham inventado uma campanha para tirar do Vaticano o status de Estado membro da ONU. E que dizer a infiltração na cultura vigente, e de sua aliança com o capitalismo e o comunismo com fim de promover, em ultima instancia, o materialismo e o consumismo com o fim de promover, em ultima instancia, o materialismo e o esquecimento de Deus?
De acordo com Gambra:
"Sua arma principal será a lingüística (a gramática normativa) que penetre na linguagem coloquial, alterando o sentido das palavras e suas conotações emocionais, até criar em quem fala uma nova atitude espiritual. Se se mudam os valores, se modifica o pensamento e nasce assim uma cultura distinta".
Como não representar-se imediatamente ao chegar a este ponto, os termos “interrupção da gravidez”, “saúde sexual e reprodutiva”, “anticoncepção de emergência”, “pré-embrião”; assim como as mudanças aparentemente inócuas da palavra “amante” ou “concubina/o” pela palavra “companheiro” ou “sociedade de fato” e muito mais. O denominador comum é que todos levam ao erro e a confusão grandes massas de pessoas que como neófitos nestes temas, deixam de chamar as coisas por seu nome sem a mínima capacidade critica e engolem “o que diz a televisão”.
Comenta o documento da Conferencia Episcopal Peruana que para “desconstruir” a sociedade, as feministas de gênero propõem construir a linguagem, as relações familiares, a reprodução, a sexualidade, a educação, a religião, a cultura, entre outras coisas”.
Estas mudanças na linguagem são possíveis se houver mudanças na educação:
A educação é uma estratégia importante para mudar os preconceitos sobre os papéis do homem e da mulher na sociedade. A perspectiva de ‘gênero’ deve integrar-se nos programas. Devem ser eliminados os estereótipos nos textos escolares e conscientizar neste sentido os mestres, para assegurar assim que meninos e meninas façam uma escolha profissional informada, e não com base em tradições preconceituosas sobre o ‘gênero’”.
Depois, que ninguém se assombre se Maria Pia se “casa” com Ana Inês ou Ramon com Lourenço, pois este é o objetivo:
"O final da família biológica eliminará também a necessidade da repressão sexual. A homossexualidade masculina, o lesbianismo e as relações sexuais extraconjugais já não serão vistas como liberais como opções alternativas, fora do alcance da regulamentação estatal, em vez disso, até as categorias de homossexualidade e heterossexualidade serão abandonadas: a mesma ‘instituição das relações sexuais’, em que homem e mulher desempenham um papel bem definido, desaparecerá. A humanidade poderia transformar finalmente a sua sexualidade polimorfamente perversa natural".
Prossegue o Dr. Gambra:
O meio em que esta metamorfose pode se realizar é o pluralismo ideológico da democracia, que deixa indefeso o meio cultural atacado, porque nela só existem “opiniões” e todas são igualmente válidas. O trabalho se realizará atuando sobre os “centros de irradiação cultural” (universidades, foros públicos, meios de difusão etc.) no quais, aparentando respeitar sua estrutura e ainda seus fins, se inoculará um criticismo que os levará a sua própria destruição.
Se se consegue infiltrar a democracia e o pluralismo na própria Igreja (que tem nessa cultura o mesmo papel diretor que o Partido na marxista), o êxito será fácil. A democracia moderna será como uma anestesia que impossibilitará toda reação no paciente, ainda quando esteja informado do sistema pelo qual está sendo penetrada sua mente.
Veja-se se são conhecidos os nefastos resultados da implantação do pluralismo e da tolerância como valores absolutos em nossas sociedades: nada se pode criticar se é politicamente correto; tudo se deve criticar se é politicamente incorreto. Nossas débeis democracias se vêem ameaçadas dia após dia pelos asseclas da mentira e da morte, pelo terrorismo ideológico e por seus principais aliados, as máfias da desinformação.
O ódio a Igreja é capaz de unir neste “pluralismo” um individuo como Ted Turner, paradigma de capitalista liberal, com o marxismo cultural, a cujo serviço coloca diariamente a CNN. Este ódio se verifica também em diversas organizações pseudo-católicas, como as “católicas pelo direito de decidir” de triste memória; ou os membros da organização “Donum Vitae” na Alemanha, que segundo o próprio Núncio, atuam diretamente contra a vontade do Papa para emitir certificados de assistência médica requeridos para o aborto legal.
E termina Gambra:
"Daqui a revolução cultural, meta principal do atual marxismo, e movimentos como cristãos para o socialismo e outros semelhantes que delimitam isto que se chamou a auto-demolição da Igreja".
É dever de todos os cristãos contribuir para evitar essa “autodemolizione” da Igreja – cuja estabilidade graças a Deus, não depende da vontade humana -, tão buscada pelo marxismo cultural que agora se veste com roupagem de “gênero”: outra alteração da linguagem, esta vez para não assustar. Não menos importante é o dever de agradecer que uma das poucas vozes que se atrevem a defender a dignidade do homem e sua verdadeira liberdade, é a do Papa. Valente e sereno, enérgico e caritativo, o Santo padre custodia e defende a tempo e fora de tempo, a Verdade. Por isso, contra quem consciente e inconscientemente contribuem com suas acidas e incisivas criticas a essa “auto-demolição” preconizada por Gramsci, é necessário afirmar que o criticismo a Cátedra de Pedro, que é um golpe a Igreja, pois venha de onde venha, sempre contribui para destruição buscada por seus inimigos. Pois ainda sabendo que a barca de Pedro não perecerá jamais, nada exime aos cristãos de remar para levá-la a bom porto.   
Ante a tentação do criticismo, todo cristão deveria recordar – com a C.E.P. – que “os donos da nova perspectiva promovem o ataque frontal ao cristianismo e a toda figura que o represente”. Em 1994, Rhonde Copelon e Berta Esperanza Hernández elaboraram um folheto para uma séria de sessões de trabalho da Conferência Internacional de População e Desenvolvimento do Cairo. O folheto atava diretamente ao Vaticano por opor-se à sua agenda que entre outras coisas inclui os direitos à saúde reprodutiva e por conseqüência ao aborto.
Este reclamo de direitos humanos elementares confronta com a oposição de todo tipo de fundamentalistas religiosos, com o Vaticano como líder na organização de oposição religiosa à saúde e aos direitos reprodutivos, incluindo até os serviços de planificação familiar.
Portanto, se os cristãos não tomarem consciência de que o marxismo cultural: a) existe; b) goza de boa saúde e c) está fazendo estragos nas consciências e nas almas de muitos homens e mulheres inocentes; se não permanecermos muito unidos ao Papa e ao seu Magistério; se não lutamos junto a Pedro e sobre Pedro, esta luta pela vida e pela família, dificilmente podermos contribuir para a derrota final do materialismo histórico encarnado no marxismo gramsciano. É demasiado grave a hora para que nós cristãos estejamos divididos, e pior ainda, distraídos, quando o que realmente importa é o restabelecimento da Cultura da Vida e da Família.

* Tomado de Catholic.net e traduzido por Fernando Rodrigues Batista.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Homilia do Padre Paulo Ricardo a respeito do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3).


Homilia pronunciada no dia 31/01/2010, pelo Padre Paulo Ricardo* a respeito do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). O decreto pretende impor à Nação e aos Brasileiros que nele vivem, políticas desumanas e incompatíveis com o cristianismo. Trata-se de um instrumento para a criação de uma “nomenklatura”, uma casta de dirigentes alinhada com a ideologia governante e que, na prática, exclui os verdadeiros cristãos do aparato de governo.

Meus queridos irmãos e irmãs eu costumo sempre fazer a homilia a respeito do Evangelho, porém, o  missal permite que se faça a homilia a respeito de alguma necessidade da comunidade. Será o caso da homilia de hoje.
Nós vivemos em um tempo de graves e sérias mudanças em nosso país. Já no apagar das luzes do ano de 2009 o presidente da república assinou um decreto de um Plano de Desenvolvimento dos Direitos Humanos. O decreto é muito extenso, várias paginas, o português é jurídico, difícil de leitura, mas o que o decreto faz é o seguinte:
Ele cria duas categorias de cidadão, existe agora, a partir do Decreto de Sua Excelência o Presidente, dois tipos de brasileiros, aqueles que podem ser funcionários públicos e não são cristãos, e aqueles que são cristãos e são cidadãos de segunda categoria. Essa é a conseqüência desse decreto.
O decreto quer colocar algemas nos cristãos e tornar o cristianismo nesse país praticamente ilegal.
Porque através desse decreto nenhum funcionário público pode ser contra o aborto, nenhum funcionário público pode ser contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, nenhum funcionário público pode ser contra invasões despropositadas de terra. Nenhum funcionário público pode ser contra a lei e aquilo que é a política do governo de retirar de todos os locais públicos símbolos religiosos.
Este decreto do presidente da república cria cidadãos de 02 (duas) categorias aqueles que poderão ser funcionários públicos, se forem cristãos, serão cristãos com as mãos atadas; cristãos de amarras, algemas, mordaça...
O senhor presidente da república decretou que ninguém pode ser cristão e servir este país. A gravidade desse decreto, a gravidade desta decisão não está minimamente à altura do barulho que nós ouvimos na mídia e do barulho que nós ouvimos feito pelos senhores bispos do Brasil, que graças a Deus estão protestando, mas não estão protestando com a veemência que deveriam protestar.
Estamos vendo a instauração dos pressupostos de uma futura ditadura! Para que haja uma ditadura é necessário que haja uma nomenklatura, ou seja, um grupo de burocratas fidelíssimos que implantem essa mordaça na população, é assim que se faz uma ditadura.
É necessário que a Igreja Católica erga sua voz contra esta infâmia que Clama aos Céus. Se algum padre ou algum bispo pretende ser prudente e guardar o silêncio, eu não guardarei! Porque não quero entrar para a história como os bispos que covardemente não levantaram a voz quando Hitler começou a governar a Alemanha em 1933.
Meus irmãos, Hitler foi eleito democraticamente. E levou 6 (seis) anos para que ele finalmente fizesse um ato de guerra e invadisse a Polônia, durante estes 6 anos enquanto ele ia tomando o poder gradualmente e abolindo a democracia na Alemanha, pouquíssimos foram os bispos valorosos, tementes a Deus, que ergueram a sua voz para protestar contra esse tipo de desmando.
Não estou acusando o senhor Presidente da República de genocídio nazista e nem de ser um outro Hitler. Eu só estou fazendo um paralelo na história e dizendo que é vergonhoso que bispos e padres não estejam à altura do seu povo e de suas ovelhas e levantem a voz quando a falta de respeito pela população brasileira se torna clamorosa, infame, desavergonhada!
94% dos brasileiros são contra o aborto! E, no entanto esta corja de patifes que nos governa quer a todo custo implantar o aborto custe o que custar. Tentaram através de lei no congresso não conseguiram, agora, então, tentam através de decreto, para que então só haja funcionários do governo que se calem, amordaçados, e sejam punidos com atos administrativos aqueles que não seguirem a cafagestagem desta tirania que está abolindo com a democracia no Brasil.
Meus irmãos; é necessário que nós cidadãos e cristãos não fiquemos indiferentes. Eles irão repetir a ladainha de sempre de que a nossa religião é um fato privado e que ninguém deve usar a sua religião para colocar as políticas públicas. O problema é o seguinte, o ateísmo também é uma atitude religiosa, o ateísmo também é uma religião, o ateísmo também é uma forma de se relacionar com o fato religioso. Uma minoria de ateus desavergonhados quer amordaçar a maioria dos cristãos deste país. Eles dizem que ficam ofendidos com a presença de crucifixos nos nossos tribunais, e eu digo que fico ofendido com uma parede vazia no tribunal. Porque uma parede vazia num tribunal é também uma atitude religiosa, porque viver como se Deus não existisse também é uma atitude religiosa, porque, impedir os cristãos deste país de longa tradição cristã, 5 (cinco) séculos de cristianismo, de manifestarem publicamente a sua religião porque um grupelho de ateus imorais não quer ver a nossa piedade e a nossa religião é algo simplesmente inaceitável, é algo diante do qual nós não podemos nos calar.
Como pastor de almas, eu preciso dizer isto. Eu preciso dizer que não irei me calar diante de uma política do governo que quer implantar o aborto custe o que custar. Porque eu não quero carregar na minha consciência a mortandade de milhões de crianças que se seguirá a esta política genocida. Como pastor eu devo erguer a minha voz contra um governo que quer a todo custo equiparar o casamento heterossexual único e indissolúvel a uma união de pessoas do mesmo sexo, isto é uma afronta, isso é um insulto!
Nós não podemos dizer que o ato sexual homossexual tem a mesma dignidade do ato sexual heterossexual, meus irmãos todos nós nascemos de um ato sexual heterossexual, da união de um homem e de uma mulher. Todos nós devemos à santidade e a grandeza do sexo entre um homem e uma mulher a nossa existência. O que é que um homem com homem pode produzir, além de excrementos? O que é que uma mulher e uma mulher podem produzir? Absolutamente nada! A esterilidade destes atos sexuais não pode ser equiparada à grandeza e a fertilidade dos atos que Deus quis e planejou, que é o ato entre um homem e uma mulher. E a Igreja Católica não pode, não deve e se Deus quiser não irá se calar diante desta perversão.
Nós não estamos querendo colocar nenhum homossexual na cadeia, como eles, aliás, querem me colocar na cadeia, e a você também se você abrir o bico. Porque já existe no congresso tramitando uma lei, PL 120 (nota: trata-se do PLC 122/2006), que pretende punir como crime inafiançável qualquer ato de discriminação contra pessoas que advogam o sexo com o mesmo sexo. Eu não quero colocar nenhum homossexual na cadeia, enquanto houver sociedade cristã os homossexuais continuarão tendo o direito civil de ter as relações sexuais que quiserem sem ser ameaçados com a cadeia. Mas por favor, não queiram calar a nossa boca e não queiram nos obrigar a achar tudo isso muito bonito e decente.
Uma coisa é um crime, outra coisa é um pecado. O homossexualismo não é um crime, mas é um pecado! Porque não está no projeto de Deus, porque Deus não o quis. Todo homossexual enquanto os valores cristãos guiarem o nosso país, todo homossexual terá todo o direito de sê-lo, de ser homossexual o quanto quiserem e de fazer os atos sexuais que quiserem, mas não queiram que os elogiemos por isto, não queiram que nós achemos tudo isso muito santo e decente porque a palavra de Deus nos proíbe. Criminalizar esta minha opinião é criminalizar o cristianismo. Este PL 120 (nota: trata-se do PLC 122/2006) está simplesmente pretendendo criminalizar o cristianismo.
Vocês sabem que já está em vigor esta realidade no nosso país, não através de lei, mas através de jurisprudência. Aconteceu em Fortaleza que uma igreja evangélica, quis, pagou, e colocou outdoors na cidade, cartazes com versículos bíblicos e nada mais. Os versículos da Bíblia que dizem que o homossexualismo é um pecado, simplesmente “a frase da bíblia”, a citação, só isso. Um grupo do movimento dos direitos dos homossexuais entrou com uma ação contra esta Igreja e o juiz mandou retirar os cartazes. Vocês sabem o que é isso? Isso significa que o cristianismo no nosso país já é um crime, para alguns juízes já é um crime, para alguns juízes ter a opinião da bíblia é um crime. E assim eles vão instalando esse tipo de aberração no nosso país.
Querem que nós aceitemos o apoio total e irrestrito destes grupos de facínoras que invadem as terras e que tomam conta das áreas produtivas do nosso país para não produzirem absolutamente nada. Este bando de cafajestes chamado MST é o maior latifundiário deste país, entretanto não produzem uma banana. Porque o que querem é destruir simplesmente a nossa sociedade, a eles não interessa minimamente a produção, a eles não interessa minimamente aquilo que seja a ordem, aquilo que seja uma democracia.
Nosso governo que exige de todos nós todo tipo de documento, para sequer comprarmos na farmácia ao lado uma cápsula de aspirina, não exige um documento sequer do MST para despejar milhões de reais nessa organização criminosa. Não sei se os senhores sabem, mas o MST não existe juridicamente, eles não têm sequer um CNPJ, não existe a pessoa jurídica, não existe a firma MST, e mesmo sem, mesmo estando irregulares eles recebem milhões de reais todos os anos, do nosso governo, e o país adormentado, assiste a instauração de uma ditadura, e a perversão da ordem do nosso país.
Nós não podemos permanecer calados diante disso, Clama aos Céus este ato. Que um presidente da república seja irresponsável o suficiente de dizer que assinou este decreto sem ler, em qualquer país civilizado seria suficiente para um impeachment, para que ele já tivesse sido estromesso (Nota: deposto) do palácio do planalto. Que um homem assine um decreto desta enormidade, e diga que nem sequer leu, é de uma cara de pau tão grande, que nós não podemos sequer sonhar com uma coisa dessas. Como, senhor presidente, o senhor não leu, se todas estas cláusulas que o senhor acaba de assinar estava no seu plano de governo quando o senhor se candidatou pela primeira vez em 2002?
Infelizmente o nosso país elege presidentes não pelos seus planos de governo, mas elege presidente pelas propagandas eleitorais. Propaganda aceita tudo, (com) propaganda se faz aquilo que se quer. Infelizmente, infelizmente esta minha homilia não pode ser classificada como propaganda eleitoral para um outro partido. Porque infelizmente os outros possíveis e prováveis candidatos de outros partidos têm o mesmo desgraçado plano de governo.
Nós podemos nas próximas eleições ir votar e eleger, e escolher entre: lúcifer, satanás, belzebu, o diabo e o capeta. Porque tudo será, no final, a mesma coisa. Porque se o Lula defende isso, a Dilma também o defende, o Serra também o defende, e mais todo o resto da corja que quer se candidatar a presidente da república. Não existe partido, não existe partido que numericamente seja representativo, que esteja realmente representando a opinião do povo brasileiro. Infelizmente, infelizmente, os senhores congressistas, infelizmente os cargos que nós temos no executivo, e infelizmente também o judiciário, estão todos pela ocupação de espaço, pela política da ocupação de espaços, estão todos alocados para pessoas revolucionárias, anti-cristãs de esquerda.
Esta é a situação deste país. Esta é a nossa situação. Agora não esperem os métodos de Hitler, porque hoje em dia não se faz mais ditadura com derramamento de sangue, hoje em dia as ditaduras são feitas por revoluções de veludo, como este decreto que nós acabamos de assistir. As revoluções de veludo que vão, lenta e gradualmente, comendo os direitos democráticos sem que sequer as pessoas notem isso. Sequer as pessoas estão notando a demência que é pedir de um funcionário público que ele professe a fé no credo do governo e do partido governante. Isto jamais existiu numa democracia. Nós estamos sendo governados por uma ideologia que tem a sanha do poder. Eles não irão parar por aí. Se nós - nós - não fizermos ouvir a nossa voz infelizmente não existe nenhum movimento organizado para rebater isto tudo. Então o que podemos fazer de concreto? O que podemos fazer agora é abrir os olhos das pessoas para o que está acontecendo.
Para que isto um dia se torne um movimento. Para que isto um dia se torne um movimento de cristãos e não-cristãos, amantes da democracia que queiram deter esta raça de gente, esta raça de mal-feitores que desgraçadamente nos governa. Que Deus tenha piedade do nosso país!
Quero concluir esta homilia, recordando, porém, a providência de Deus, não para que nós fiquemos de braços cruzados não é isso. Mas para que não nos desesperemos. Deus está conosco e se Deus está conosco quem será contra nós? Nós podemos e devemos articular a nossa ação política para que como cidadãos tenhamos direito de existir como cristãos.
Meus irmãos eu não estou fazendo campanha de nenhum partido político, porque infelizmente eu os detesto a todos. Porque todos, todos, sem exceção são cúmplices desta enormidade que nós estamos assistindo. Não estou dizendo votem em fulano, em beltrano e sicrano, eu estou dizendo: Vamos acordar!
Deus está conosco. Deus é por nós. Mas se Deus é por nós, nós precisamos também ser por Deus. Deus está do nosso lado e nos defende. Mas nós também precisamos nos acordar. E realizar atos corajosos de protesto. Espero em Deus nosso Senhor que padres e bispos do nosso país, lideranças leigas, acordem para estes fatos e nós possamos assim, em período breve, organizar marchas pela liberdade. Não a favor de nenhum partido político, marchas pela liberdade simplesmente dizendo que nós não estamos de acordo a que os políticos no congresso nacional simplesmente estejam moucos (Nota: surdos) à voz da população.
Infelizmente do outro lado eles são bem informados, eles tem militância, eles tem constância, eles são aguerridos. Do nosso lado nós não temos militância nenhuma, então não adianta agora querermos conclamar nada. Precisamos primeiro tomar consciência, precisamos primeiro nos inquietar, para que depois, uma vez que haja uma população inquietada, possamos fazer uma manifestação pública, porque se eles não ouvem a voz de Deus e a voz da Moral, pelo menos a voz do voto de milhões de insatisfeitos eles irão ouvir!

* Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior pertence ao clero da Arquidiocese de Cuiabá (Mato Grosso – Brasil) e, desde 1996, é reitor do Seminário Cristo Rei, de Cuiabá.
Nasceu no dia 7 de novembro de 1967 e foi ordenado sacerdote no dia 14 de junho de 1992, pelo Papa João Paulo II. É bacharel em teologia e mestre em direito canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma). Atualmente, leciona nos cursos de Filosofia e Teologia.
Desde 2002, a Santa Sé o nomeou membro do Conselho Internacional de Catequese (Coincat), da Congregação para o Clero. (Currículo retirado do site do próprio Revdo. Pe, no endereço eletrônico: < http://www.padrepauloricardo.org/site/?page_id=2>).


Transcrição feita na integra pelo senhor Luiz Henrique Dezen Ramos.


segunda-feira, 8 de março de 2010

O monge e o passarinho*

Diálogo entre um religioso e um secular

Secular — Já que me sucedeu caminhar em tão boa companhia, hei de aproveitar a ocasião e perguntar alguns pontos que desejava saber.

Religioso — Folgarei eu de poder servir a Deus, e prestar ao próximo em alguma coisa.

S. — Padre: Para que Deus criou o homem?
R. — Para que o homem se salvasse, e salvando-se, lhe desse glória no Céu eternamente.
S. — E que coisa é salvar-se?
R. — É ver a Deus claramente, como ele é em si mesmo, gozar dele, amá-lo e louvÁ-lo para sempre.
S. — Pois Deus tem corpo, ou figura, ou cor alguma para o podermos ver?
R. — Deus é puro espírito: assim como os Anjos e as nossas almas também são espíritos. E por isso, nem os Anjos, nem as nossas almas tem cor, ou figura, que se possa ver com os olhos do corpo. Porém, o vermos a Deus não é senão com os da alma, que é outra vista muito mais clara e nobre.
S. — Para que são logo os olhos do corpo, ou em que se hão de empregar, quando estivermos no Céu?
R. — Não lhes faltará que ver. Verão a Humanidade Santíssima de Cristo, cuja formosura excede sem comparação à de todas as coisas visíveis. Verão todos os mais Santos bem-aventurados, cada um dos quais resplandece mais que o Sol, e todos juntos postos por sua ordem, formam um espetáculo admirável, e deleitosíssimo. Verão o formosíssimo palácio do Céu Empíreo, com cuja grandeza comparado o Céu estrelado não vem a ser mais que um breve pontinho que desaparece. Verão todas as mais esferas celestes, sua fábrica, ornato e grandeza. E verão também toda a redondeza da terra com a nova formosura, que há de ter depois do dia do juízo. Ó quem nos dera já logrado este estado.
S. — E por quanto tempo hão de ver a Deus os venturosos que se salvam?
R. — Já disse que para sempre, em quanto o mesmo Deus for Deus: Considerais bem este para sempre, para sempre, e pasmareis da Bondade de Deus, que tal prêmio promete, e do descuido dos homens, que tal felicidade não estimamos e procuramos.
S. — Tanto tem Deus que ver? E tanto que ser amado, e louvado que hão de estar as almas ocupadas nisto sempre, sempre sem cansarem.
R. — Filho: os bens e gostos do mundo, uns mais, outros menos, todos finalmente enfastiam e cansam, porque em si são limitados, e o homem não é feito para eles. Porém, a formosura de Deus é infinita: suas perfeições, excelências e grandezas não têm limite. E assim, ainda que houvera infinitos Anjos e almas bem-aventuradas, nunca por toda a eternidade acabariam de compreender tão grande bem, nem cansariam de o amar, e louvar, especialmente sendo os Anjos e os homens criados para o logro deste bem. E senão, dizei-me vós: a pedra por ventura cansa de estar quieta, e assentada sobre o seu centro? Não, por certo: porque esse é o seu lugar próprio, e aí se acha bem. Sendo, pois, a vista de Deus o centro das nossas almas, e o seu lugar próprio, onde se acham sumamente ditosas: que muito que não cansem de ver a Deus, e por conseguinte de o amar, e louvar eternamente? Para que esta verdade se vos faça mais crível, vos contarei um exemplo, que trazem graves Autores.

Estando um Monge em Matinas com os outros Religiosos do seu Mosteiro, quando chegaram aquilo do Salmo, onde se diz que mil anos à vista de Deus são como o dia de ontem, que já passou, admirou-se grandemente, e começou a imaginar como aquilo podia ser. Acabadas as matinas, ficou em Oração, como tinha de costume: e pediu afetuosamente a Nosso Senhor se servisse de lhe dar inteligência daquele verso. Apareceu-lhe ali, no coro, um passarinho, que cantando suavíssimamente, andava diante dele dando voltas de uma para a outra parte, e deste modo o foi levando pouco a pouco até um bosque que estava junto do Mosteiro, e ali fez seu assento sobre uma árvore; e o servo de Deus se pôs debaixo dela a ouvir. Dali a um breve intervalo (conforme o Monge julgava) tomou o vôo e desapareceu com grande mágoa do servo de Deus, o qual dizia mui sentido: Ó passarinho da minha alma, para onde te fostes tão depressa? Esperou. Como viu que não tornava, recolheu-se para o Mosteiro, parecendo-lhe que aquela mesma madrugada depois de Matinas tinha saído ele. Chegando ao Convento, achou tapada a porta, que de antes costumava servir, e aberta outra de novo em outra parte. Perguntou-lhe o Porteiro quem era, e a quem buscava. Respondeu-lhe: Eu sou o sacristão, que poucas horas há que saí de casa, e agora torno, e tudo acho mudado. Perguntado também pelos nomes do Abade e do Prior, e Procurador, ele lhos nomeou, admirando-se muito de que não o não deixasse entrar no Convento, e de que mostrava não se lembrar daqueles nomes. Disse-lhe que o levasse ao Abade: e posto em sua presença, não se conheceram um ao outro; nem o Monge sabia que dissesse, ou fizesse, mais que estar confuso e maravilhado de tão grande novidade. O Abade então, iluminado por Deus, mandou vir os Anais e histórias da Ordem: onde, buscando, e achando os nomes que o Monge apontava, se veio a averiguar com toda a clareza que eram passados mais de trezentos anos desde que o Monge saíra do Mosteiro até que tornara para ele. Então, este contou o que lhe havia sucedido, e os Religiosos o aceitaram como o Irmão seu do mesmo hábito. E ele, considerado na grandeza dos bens eternos, e louvando a Deus por tão grande maravilha, pediu os Sacramentos, e brevemente passou desta vida com grande paz no Senhor.

Este é o exemplo. Vede agora, que se a música de um passarinho pôde entreter aquele Monge trezentos anos com tanto gosto seu, que lhe pareceram poucas horas, e ainda desejasse que durasse mais: como não bastará a vista de Deus, que é um bem onde se encerram juntos infinitos bens, para suspender a nossa alma sem fastio, nem cansaço, por toda eternidade? Antes, com satisfação, e gozo tão cabal, como se naquele instante começasse a ver a Deus.

(trecho de O Pão Partido em Pequeninos, do Pe. Manuel Bernardes.)


[*] N. da P.: O título deste texto é de nossa autoria. (http://www.permanencia.org.br/)